Montenegro e a arte de dar vários tiros no pé
O episódio da avaliação das provas de exame expôs uma profunda crise de liderança. Quando o erro se tornou evidente, o ministro da tutela, após tentar tapar o sol com a peneira, acabou por recuar de mansinho para apaziguar a relação com os professores. Contudo, o primeiro-ministro deitou por terra o pouco que restava para se conseguir qualquer esforço de conciliação. Movido por uma arrogância incompreensível, Luís Montenegro preferiu sacudir a água do capote e atirar a culpa directamente para cima dos professores.
Esta atitude revela uma gritante perda de sensibilidade política e de critério. Em vez de assumir a responsabilidade governativa, o primeiro-ministro foca-se em fabricar culpados. Já tínhamos visto este padrão na discussão sobre a reforma laboral, assistimos ao mesmo na gestão caótica do SNS, e voltamos a testemunhar o mesmo guião na Educação.
Navegando entre contradições, o chefe do governo ora desautoriza os seus ministros, ora os tenta proteger sem critério. No final, apresenta-se ao país a garantir que corre tudo bem, como se a propaganda fosse suficiente para apagar a realidade.
Onde está a liderança prometida aos portugueses?
Carlos Oliveira