Paulo Cafôfo exige explicações do Governo sobre o aumento dos custos do novo hospital
"A Madeira enfrenta uma situação de sobrecarga estrutural do Sistema Regional de Saúde. Não significa que tudo tenha falhado ou que não existam bons profissionais e serviços de qualidade", afirmou Paulo Cafôfo no início da intervenção política semanal que abriu a sessão plenária de hoje..
O líder parlamentar socialista considera que "há indicadores preocupantes quando relacionamos o estado de saúde dos madeirenses com a saúde pública regional".
Em 2025, sublinha, 47,5% dos residentes declararam ter uma doença crónica ou um problema de saúde prolongado, "a percentagem mais elevada do país e, como sabemos, a esperança de vida na Região é inferior em dois anos".
Em 2024, a taxa de mortalidade da Madeira foi superior à do país em 8,8%.
A estes resultados juntam-se sinais de pressão sobre o Serviço Regional de Saúde.
"Uma das fragilidades mais graves continua a ser o acesso atempado aos cuidados: os dados conhecidos, reportados ao final de 2025, apontam para 146 mil atos clínicos em lista de espera, entre consultas, exames e cirurgias", diz Paulo Cafôfo.
"O próprio director clínico, Dr Júlio Nóbrega, reconheceu que cerca de 500 pessoas que já não necessitam de internamento hospitalar continuam nas unidades de saúde por não existirem respostas adequadas", afirmou.
Proporcionalmente à população, a incidência na Região é "quase seis vezes superior à do continente. Se acompanhássemos a proporção relativamente ao continente, teríamos cerca de 86 casos, mas temos 500".
Para o deputado socialista "não há outra forma de dizer isto: o governo tem sido incapaz e não concretizou. O Governo Regional anunciou 1.003 novas camas em lares até 2026 e chegou a projetar 1.080 camas de cuidados continuados, número posteriormente reduzido para 418 e, depois, para 219".
Novo Hospital
A estes problemas estruturais, alerta o deputado socialista, 2junta-se agora uma preocupação recente: o concurso e o custo final do novo Hospital Central e Universitário".
O Governo Regional decidiu relançar o concurso para a terceira fase, depois de ter ficado deserto, "por 415 milhões de euros, num aumento de 150 milhões em dez meses, sem que este montante inclua ainda a totalidade dos equipamentos clínicos e hospitalares2.
Perante esta sucessão de valores e procedimentos, o Governo tem de responder a um conjunto de questões: quando poderão os madeirenses contar com o novo hospital; quanto custará, incluindo os equipamentos médico-hospitalares; que garantia existe do atual Governo da República para assegurar os 50% definidos pelo anterior Governo da República do PS.
É também indispensável saber "que obras ou investimentos já anunciados serão adiados ou abandonados para financiar a componente regional".
"A saúde não pode continuar a ser governada como uma sucessão de emergências. Há muitos anos que o Governo Regional administra dificuldades, mas não corrige as falhas que retiram capacidade ao sistema", afirma.