Um pequeno país que foi dono do Mundo

É inacreditável como foi possível, há 500 anos, um país tão pequeno como Portugal não só descobrir meio mundo, como ainda ser dono de grande parte dele.

Portugal descobriu continentes e países até então inimagináveis e abriu vias marítimas como nunca antes tinham existido.

Foi Portugal que impulsionou o comércio mundial.

Até aos dias de hoje, nenhum país conseguiu ser tão rico e tão poderoso como Portugal foi há 500 anos.

Eu pergunto: como é que foi possível Portugal, de um dia para o outro, ficar sem terras, sem riqueza, sem nada?

Portugal abandonou tudo sem ficar com nada, nem sequer algumas terras ou ilhas desses continentes conseguiu conservar como recordação.

Todos os outros países conquistadores ficaram com territórios e ilhas e, ainda hoje, continuam a administrá-los com orgulho.

As únicas terras que Portugal conseguiu manter foram a Madeira e os Açores. E vamos ver até quando continuaremos a ser donos delas.

Os portugueses trouxeram carradas de ouro, carradas de pedras preciosas, fizeram fortunas com as especiarias e com muitos outros produtos.

Hoje, Portugal tinha a obrigação de ser um dos países mais ricos e mais poderosos do mundo.

É incompreensível que, passados 500 anos, Portugal se tenha tornado um país pobre e dependente da ajuda dos outros.

Está na altura de os portugueses acordarem e sentirem orgulho naquilo que fizemos há 500 anos.

Sem recursos e com poucos conhecimentos, fomos donos de meio mundo.

Hoje somos um povo mais instruído e com muito mais conhecimento. Está na altura de voltarmos a conquistar o mundo através da inovação e de voltarmos a ser ricos e poderosos como fomos há 500 anos.

Temos boas universidades, temos inteligência e temos tudo ao nosso alcance para fazer grandes descobertas e inventar coisas extraordinárias.

Está na altura de os grandes empresários, as grandes empresas e o Governo se tornarem parceiros das universidades.

Devem ser os empresários e o Governo a financiar e a criar todas as condições para que as universidades possam desenvolver investigação sem outras preocupações.

Quando as universidades fizerem uma descoberta, os empresários ou o Governo devem criar fábricas para produzir esses produtos.

Os lucros dessas descobertas devem ser repartidos de forma justa com as universidades, para que estas possam continuar a investigar e a fazer novas descobertas.

Não podemos continuar a vender as nossas descobertas por tão pouco aos estrangeiros e permitir que eles enriqueçam à nossa custa.

É tempo de voltar a conquistar o mundo através do conhecimento e de mostrar que somos capazes.

Temos de voltar a ter orgulho em ser portugueses, como tivemos há 500 anos.

O que falta aos portugueses é coragem, ambição e iniciativa.

Sem essas três qualidades, nunca seremos alguém no mundo.

Edgar B. Silva