DNOTICIAS.PT
Mundo

Leão XIV despede-se de Madrid em estádio com 70 mil pessoas

None
Foto EPA

Cerca de 70 mil pessoas encheram hoje o estádio do Real Madrid para um encontro com o Papa com comunidades católicas locais, na despedida de Leão XIV da capital espanhola.

Leão XIV está desde sábado em Madrid, a primeira etapa de uma viagem a Espanha de uma semana que continuará na terça-feira em Barcelona e, na quinta e na sexta-feira, nas ilhas Canárias.

Nos três dias em que esteve em Madrid, o Papa reuniu 600 mil pessoas numa "vigília de oração com jovens" no sábado à noite, mais de 1,2 milhões numa missa ao ar livre no domingo no centro da cidade e cerca de 70 mil no evento de hoje no estádio Santiago Bernabé, segundo a organização da visita.

Em paralelo, dezenas de milhares de pessoas acompanharam os percursos que o Papa fez num "papamóvel" pela cidade, segundo as autoridades de segurança locais.

O último percurso de "papamóvel" em Madrid foi feito hoje dentro do próprio estádio Santiago Bernabéu, ao som de aplausos e gritos das 70 mil pessoas que enchiam as bancadas e parte do reslvado.

Além dos eventos de dimensão puramente religiosa, a agenda do Papa em Madrid teve uma carga política inédita, com o primeiro discurso de um chefe da Igreja Católica no parlamento nacional de Espanha, hoje de manhã.

O Papa defendeu, perante os deputados, senadores, governo e outras autoridades de Espanha, que o "trágico drama migratório" deve agitar "a consciência das nações" e apelou à cooperação multilateral para lhe ser dada uma resposta "solidária e eficaz" que tenha no centro a dignidade humana.

Para o Papa, "a situação dos migrantes e refugiados exige uma resposta que olhe para as pessoas, enfrente as causas que os obrigam a partir e vá mais além da mera gestão de fluxos".

As responsabilidades dos governos, defendeu, são garantir e oferecer "vias seguras e legais, um acolhimento com respeito e possibilidades reais de integração" e promover "o direito a permanecer na própria terra, a trabalhar para que ninguém tenha de abandonar a sua casa por falta de paz, segurança ou condições dignas de vida".

"Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio desta magnitude" e é "indispensável uma resposta coordenada, solidária e eficaz", no "quadro da uma cooperação regional e multilateral", defendeu Leão XIV.

O Papa considerou ainda preocupante o rearmamento da Europa e pediu respeito pelo direito internacional e "coragem diplomática" aos líderes mundiais.

Considerando que "as armas podem impor um silêncio temporário, mas nunca poderão edificar uma paz autêntica e duradoura", disse que "a verdadeira segurança nasce da justiça, do diálogo paciente, do respeito pelo direito internacional e de uma política capaz de pôr a vida dos povos acima dos interesses que se beneficiam com a guerra".

Sem nunca pronunciar as palavras aborto ou eutanásia, o Papa pediu, por outro lado, para a vida humana ser reconhecida e protegida desde a conceção à morte natural.

Noutros dois discursos no sábado, apelou à Europa para abandonar discursos polarizadores com "simplificações estéreis" e a reconhecer "a complexidade" como uma bênção, tendo agradecido a Espanha "a fidelidade ao direito internacional e ao multilateralismo".

Leão XIV alertou ainda para "ideologias mundanas ou posicionamentos políticos e económicos" que levam a "generalizações injustas", num encontro com pessoas em situação de exclusão social, como imigrantes e sem-abrigo.

A passagem por Madrid ficou também marcada por um encontro de Leão XIV com vítimas de abusos sexuais por parte do clero espanhol.

A nova etapa desta viagem, a primeira visita de um Papa a Espanha em 15 anos, terá um foco especial na arte, nomeadamente a arquitetura de Antoni Gaudí, o criador da basílica da Sagrada Família.

Leão XIV vai celebrar uma missa na basílica assim como benzer a torre mais alta da Sagrada Família, a Torre de Jesus, cuja construção ficou terminada este ano, que coincide também com o centenário da morte de Gaudi.

Em Barcelona, o Papa fará também uma vigília, celebrará uma missa num estádio e visitará uma cadeia.

Nos dois dias que passará nas Canárias, o foco da visita estará na imigração e no fenómeno das 'pateras' ou 'cayucos', as embarcações precárias em que milhares de pessoas cruzam anualmente o atlântico para alcançar ou tentar alcançar as costas do arquipélago espanhol.