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Espanha, um país menos católico mas mais tolerante recebe Leão XIV

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FOTO ISABEL RODRIGUEZ/EPA

Uma Espanha menos católica mas mais tolerante e menos anticlerical receberá o Papa Leão XIV de 06 a 12 de junho, 15 anos depois da última visita de um líder da Igreja Católica ao país.

Segundo um estudo do instituto público Centro de Investigações Sociológicas (CIS) publicado no mês passado, a percentagem de pessoas que vivem em Espanha que se dizem católicas caiu 17,4 pontos desde 2011, ano da anterior visita papal a Madrid, por Bento XVI.

Cerca de 56% da população espanhola assume-se em 2026 como católica, apesar de só 18,3% se dizer praticante, segundo uma sondagem do CIS feita em maio. Os que se dizem agnósticos são 11,8%, enquanto 12,4% dos inquiridos definiu-se como "indiferente" ou "não crente" e 14,7% como ateu.

Em 2011, segundo os dados do CIS, 73,5% dos espanhóis dizia-se católico.

Naquele ano, foram celebrados 67.313 casamentos na Igreja Católica em Espanha, assim como 292.143 batizados e 250.916 primeiras comunhões, segundo as estatísticas da Conferência Episcopal Espanhola (CEE).

Em 2024, ano dos dados mais recentes da CEE, houve 31.462 casamentos católicos, 146.370 batizados e 157.677 primeiras-comunhões.

"A sociedade espanhola é hoje é menos católica do que há décadas, há maior secularização, mas ao mesmo tempo há também maior tolerância e isso nota-se especialmente nas gerações mais jovens. Para encontrar posições do tipo anticlerical é preciso ir a gerações já muito velhas e, além disso, a locais muito concretos", disse o sociólogo e presidente da empresa de estudos de opinião GAD3, Narciso Michavila, numa conferência de imprensa esta semana organizada pela Conferência Episcopal Espanhola (CEE) a propósito da visita de Leão XIV.

Utilizando uma mensagem da Bíblia, atribuída a Jesus Cristo, Narciso Michavila disse que as gerações mais jovens espanholas e a maioria da sociedade assumem o princípio de "quem estiver livre de pecado que atire a primeira pedra".

A viagem de Leão XIV a Espanha inclui passagens por Madrid, Barcelona e duas ilhas das Canárias.

Além da dimensão puramente religiosa, a agenda da visita tem uma componente institucional e de Estado, com encontros e eventos oficiais com a Família Real, o Governo e os deputados e senadores do país, assim como uma dimensão social (focada no acolhimento e integração de imigrantes, de pessoas em situação de sem-abrigo e presos) e outra dimensão cultural, centrada em Barcelona e na obra de Antoni Gaudí, o arquiteto da Sagrada Família, que é desde este ano o templo católico mais alto do mundo.

Segundo dados da CEE revelados esta semana, preveem-se pelo menos dois eventos de grande dimensão em Madrid (uma missa ao ar livre e uma vigília com jovens, no centro da cidade), em que estão inscritas mais de meio milhão de pessoas, 97% das quais residentes em Espanha.

Em Barcelona, esperam-se dezenas de milhar de pessoas para seguir uma missa na Sagrada Família e num estádio e o mesmo acontecerá com eucaristias num estádio nas Canárias e no porto de Santa Cruz de Tenerife.

O orçamento da visita são 25 milhões de euros e a expectativa é que tenha um retorno para a economia espanhola de pelo menos 150 milhões de euros, segundo estimativas reveladas pela CEE.

Cerca de 45% dos custos serão cobertos por grandes empresas espanholas e outras entidades privadas, 30% serão financiados com recursos próprios das dioceses e da Conferência Episcopal, 20% por administrações públicas (com destaque para os governos regionais das Canárias e da Catalunha) e 5% por "pequenos donativos" de particulares através de canais abertos propositadamente para a visita do Papa.