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Papa vai reunir-se com vítimas de abusos sexuais durante viagem a Espanha

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O papa Leão XIV vai reunir-se com vítimas de abusos sexuais por parte de membros da Igreja durante a sua viagem a Espanha, sem especificar a data, segundo informou hoje o gabinete de imprensa do Vaticano.

O mesmo gabinete explicou que a reunião foi organizada pela Igreja espanhola, sem dar mais detalhes, e adiantou que mais informações serão disponibilizadas "após o encontro do pontífice norte-americano com as vítimas e respeitando a sua vontade e privacidade".  

Algumas associações de vítimas de abusos por parte do clero disseram nas últimas horas que o papa estava prestes a chegar ao país, para visitar Madrid, Barcelona, Gran Canária e Tenerife, mas continuavam sem obter resposta aos seus pedidos para com o líder da igreja Católica.  

Não foram divulgados os participantes no encontro para respeitar a sua privacidade, nem o local da reunião, mas entre as pessoas que o pontífice norte-americano poderia ouvir estariam as que frequentam a associação Repara, um projeto da arquidiocese de Madrid para o atendimento a vítimas e à prevenção de abusos sexuais, espirituais e de consciência no seu ambiente eclesial.  

Numa reunião da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) considerou-se que "seria bom" manter essa reunião, segundo disse em abril o seu secretário-geral e porta-voz, César García Magán, que insistiu que a agenda da viagem "é feita pelo papa".

O papa Leão XIV chegará a Espanha num momento chave para a gestão dos abusos sexuais cometidos no seio da Igreja católica, com um sistema misto acordado entre o Governo, a própria Igreja e o Provedor de Justiça, que inclui reparações simbólicas e compensações económicas para os casos que prescreveram judicialmente.

Faz quatro anos que as vítimas se reuniram com o então presidente dos bispos espanhóis, o cardeal Juan José Omella.

Desde então, não houve mais encontros com a cúpula eclesiástica, além do facto de Luis Argüello ter cumprimentado um grupo de vítimas concentradas à porta da CEE quando foi eleito presidente, em março de 2024.

Leão XIV tem reiterado em várias ocasiões a necessidade de uma política de "tolerância zero" perante qualquer forma de abuso na Igreja e defendeu que ouvir as experiências das vítimas e sobreviventes são "essenciais" para a prevenção.

O papa manteve vários encontros com vítimas. Em 20 de outubro de 2025 recebeu membros do Conselho Global de Vítimas de Abusos (ECA), que qualificaram a reunião como "um passo histórico e esperançoso" e, em 08 de novembro de 2025, reuniu-se durante quase três horas com quinze vítimas belgas num diálogo descrito como "profundo e doloroso".

No entanto, casos como o do bispo de Cádis, Rafael Zornoza, acusado de abusos sexuais a um menor quando era sacerdote, e cuja investigação ficou parada no Dicasterio para a Doutrina da Fé por um tecnicismo jurídico (a idade do menor) demonstram que é necessário rever todo o sistema judicial deste tipo de casos, o que Leão XIV ainda não fez.