Madeira Sky Race reúne 580 atletas de 33 nacionalidades em Santana
Com cinco continentes representados, 33 nacionalidades e cerca de 580 atletas, o Madeira Sky Race volta a afirmar-se como uma das competições internacionais de referência no skyrunning realizado na Madeira.
Segundo Hugo Pinto, director de prova, a North Sky Race, com 12 quilómetros e percurso renovado com partida no Calhau, é a prova que reúne mais participantes, com 174 atletas. Segue-se a Santana Sky Race, de 22 quilómetros, com 162 inscritos. A prova principal, de 50 quilómetros, integrada na Taça de Portugal, conta com 62 atletas, enquanto o Santana Vertical Kilometer, pontuável para a Taça do Mundo da modalidade, soma 68 participantes.
A organização destaca ainda a aposta nas camadas mais jovens, com cerca de 50 crianças inscritas na prova Kids, num circuito urbano adaptado e seguro. Para Hugo Pinto, este envolvimento é também sinal da vitalidade do evento, que continua a atrair atletas de várias gerações e de diferentes partes do mundo.
O presidente da Câmara Municipal de Santana admitiu que tem sido “muito difícil” manter a organização do Madeira Sky Race ao longo dos últimos anos, sobretudo pela exigência que a prova representa para todos os envolvidos. Ainda assim, sublinhou que Santana tem condições naturais únicas que justificam a continuidade do evento.
Na apresentação da prova, o autarca reconheceu que a organização tem enfrentado dificuldades recorrentes, não por falta de resultados, mas pela elevada disponibilidade pessoal e profissional que o evento exige aos directores de prova e a toda a equipa técnica.
“Já houve situações em que pensei acabar com a prova e partir para outra coisa”, admitiu, acrescentando, no entanto, que há uma realidade que o faz “pensar duas vezes”, no entanto, o carácter único do território de Santana.
O presidente destacou que o Madeira Sky Race não é uma prova convencional de trail, nem pode ser comparada com outros eventos regionais. “Isto são provas do mar à montanha, com uma verticalidade incrível. É por isso que se chama skyrunning”, afirmou, defendendo que existe um perfil específico de atleta que procura precisamente este tipo de desafio.
O autarca reconheceu também alguma preocupação com a oscilação do número de inscritos e com o calendário competitivo, uma vez que muitos atletas aguardam pelo fim de outras provas para perceberem em que condições físicas se encontram antes de avançarem para a inscrição no evento de Santana.
Ainda assim, defendeu que o essencial não passa apenas por atingir grandes números, mas sim por consolidar uma prova de elevada qualidade, tecnicamente exigente e diferenciadora.
“Mais importante do que termos números muito grandes é termos uma prova com muita qualidade, uma prova que traga atletas diferentes”, sustentou.
Dinarte admite dificuldades em manter Madeira Sky Race mas elogia cartaz
O presidente da Câmara lamentou ainda a instabilidade organizativa que tem marcado algumas edições e afirmou que gostaria de ver a prova atingir uma maior maturidade nesse plano, permitindo ao município apoiar a organização com mais tranquilidade e concentrar-se no impacto positivo do evento para o concelho.
Esse impacto, disse, é real e projecta Santana para fora da Região. O autarca recordou que há atletas estrangeiros que classificam o percurso como um dos mais técnicos que já realizaram, valorizando zonas como São Jorge, Queimadas, Pico Ruivo, Encumeada Alta, Achada do Teixeira e Pico das Pedras.
Apesar de o Madeira Sky Race já não integrar actualmente as World Series, o presidente da Câmara fez questão de sublinhar que a prova “não deixou de ter qualidade” por esse motivo. Lamentou, por isso, o afastamento de alguns patrocinadores, considerando que Santana e o evento continuam a ter valor desportivo, turístico e promocional.
“Faz-me alguma pena que alguns patrocinadores se tenham afastado só porque deixámos de estar nas World Series. Santana não deixou de ter qualidade, a prova não deixou de ter qualidade e os atletas não deixarão de vir”, afirmou.
O autarca deixou ainda um agradecimento à nova organização e ao novo director de prova, Hugo Pinto, desejando que a edição decorra da melhor forma e que a equipa se sinta motivada para dar continuidade ao evento no próximo ano.
“O importante é que, no fim do dia, as pessoas se sintam felizes e realizadas por terem vindo a Santana”, concluiu.