Meses de trabalho para poucas horas de beleza
Paróquia do Estreito volta a dar forma ao primeiro tapete do Corpo de Deus
Há cerca de cinco meses que a Paróquia do Estreito de Câmara de Lobos começou a preparar a sua participação na Solenidade do Corpo de Deus. Nesta quinta-feira, o resultado desse trabalho ganhou forma na Rua Câmara Pestana, onde dezenas de voluntários concluíram o primeiro troço do tradicional tapete de verduras e flores que será percorrido pela procissão após a Eucaristia presidida pelo Núncio Apostólico.
Élvio Faria, um dos responsáveis pelo grupo, explicou que a preparação começou muito antes do dia da celebração, com reuniões promovidas pela Diocese e a distribuição das áreas destinadas a cada paróquia.
“Este trabalho começou há cerca de cinco meses, com reuniões no Paço Episcopal e com o sorteio dos espaços que caberiam a cada comunidade. Depois iniciou-se toda a preparação dos materiais e dos desenhos”, referiu.
Nos últimos dias, os trabalhos intensificaram-se. As verduras foram preparadas e picadas ao longo da última semana, permitindo que, logo nas primeiras horas desta manhã, a equipa pudesse avançar para a montagem do tapete.
Além da criatividade, a execução exige o cumprimento de regras técnicas definidas pela organização. A largura dos tapetes está limitada a 70 centímetros, a espessura não pode ultrapassar os cinco milímetros e os elementos circulares têm um diâmetro máximo de 1,20 metros, critérios que garantem uniformidade ao longo de todo o percurso.
A logística também representa um desafio. Desde a recolha do suédro até ao transporte dos materiais, foi necessário mobilizar vários apoios institucionais.
“Tivemos a ajuda da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, quer no fornecimento de materiais, quer no transporte. Sozinhos seria muito mais difícil, porque não dispomos dos meios necessários”, salientou.
As flores e verduras utilizadas foram recolhidas com o contributo das paróquias envolvidas, num esforço conjunto que mobilizou 23 pessoas apenas na fase de preparação. No terreno, o número de colaboradores foi ainda maior, envolvendo membros da comunidade paroquial, elementos do conselho paroquial e outros voluntários.
Para muitos dos participantes, esta já não é uma estreia. Alguns colaboram há vários anos na elaboração dos tapetes florais, mantendo uma tradição profundamente ligada à vivência religiosa da festa.
“O sacrifício compensa porque estamos a trabalhar para honrar o Santíssimo Sacramento. É esse o principal motivo que nos leva a participar todos os anos”, afirmou Élvio Faria.
Além da dimensão religiosa, os tapetes continuam a despertar a atenção de quem visita a Madeira. Ao longo da tarde, são muitos os turistas que param para observar os trabalhos, registar fotografias e gravar vídeos.
“Há sempre muita gente a elogiar. Os turistas gostam, tiram fotografias e ficam impressionados com a beleza e o pormenor destes tapetes”, acrescentou.
Ao final da tarde, quando a procissão percorrer as ruas do centro do Funchal, o trabalho de meses será admirado por milhares de pessoas. Uma obra efémera, construída com dedicação e espírito comunitário, que continua a ser uma das imagens mais marcantes da celebração do Corpo de Deus no Funchal.