Suspensa retirada de navios no estreito de Ormuz após ataque a cargueiro
O plano de retirada de navios do estreito de Ormuz, em curso há três dias, foi suspenso após um cargueiro ter sido atacado ao largo de Omã, anunciou ontem a Organização Marítima Internacional (OMI).
O secretário-geral da agência marítima das Nações Unidas, Arsenio Domínguez, explicou em comunicado que tomou a decisão de suspender a execução do plano "para reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam a existir" para os navios na lista de evacuação e os restantes que ainda se encontram na região.
O anúncio da OMI surgiu depois de a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) ter hoje informado que um cargueiro foi atingido "por um projétil desconhecido a estibordo", sem causar vítimas, a 7,5 milhas náuticas da costa de Omã, a sul do estreito de Ormuz.
Em relação a este incidente, o primeiro grave registado desde a assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão na semana passada, Domínguez afirmou que o navio não transitou pelo estreito de Ormuz em conformidade com o plano de evacuação da OMI.
"Sempre insisti que a segurança do pessoal marítimo continua a ser primordial. Por isso, para garantir uma abordagem coordenada e a segurança da navegação, o plano de evacuação será suspenso até que se obtenham mais informações", declarou.
Domínguez sublinhou a importância de garantir que a retirada segura dos 11.000 tripulantes ainda retidos no golfo Pérsico possa prosseguir "sem que corram o risco de se tornarem vítimas colaterais deste conflito geopolítico".
A OMI anunciou na passada terça-feira a execução do plano de evacuação do estreito de Ormuz, em colaboração com Irão, Omã, Estados Unidos e outros países costeiros, depois de ter obtido as garantias de segurança para a navegação na área.
Este plano incluía, entre outras medidas, a comunicação individual com os navios para coordenar gradualmente a partida de Ormuz através de duas rotas alternativas como corredores marítimos seguros, a fim de evitar potenciais perigos como campos minados.
Estados Unidos e Irão assinaram na semana passada um memorando de entendimento para suspender de imediato o conflito, iniciado em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica.
Ao abrigo do memorando, as partes têm 60 dias desde a assinatura para negociar um acordo de paz definitivo, incluindo o futuro do estreito de Ormuz, sujeito a bloqueio iraniano durante os meses da guerra, afetando 20% do comércio mundial de produtos petrolíferos e o programa nuclear de Teerão.
Em troca, o Irão recebe o levantamento de sanções e a libertação de fundos congelados no exterior, bem como a criação de um fundo de 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros) para a reconstrução do país.
De visita ao Bahrein numa jornada diplomática que passou também pelos Emirados Árabes Unidos e Kuwait, Marco Rubio afirmou, em conferência de imprensa na quarta-feira, que os Estados Unidos não farão "nada que prejudique a segurança" dos aliados na região.
O chefe da diplomacia de Washington afirmou também que nenhum outro país além do Irão defende portagens no estreito de Ormuz, como tem sido pretendido por Teerão, comprometendo-se com "um alinhamento total" com os aliados do Golfo nas negociações com a República Islâmica.
No mesmo sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, garantiu hoje aos homólogos representados no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar que não haverá cobrança de portagens no estreito de Ormuz.
Além da instabilidade associada ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz, as negociações estão também ameaçadas pela continuação da ofensiva israelita contra o movimento xiita Hezbollah no Líbano, país incluído no cessar-fogo por exigência de Teerão.