Milhares de pessoas trabalham diariamente na proteção do país
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) garantiu ontem que milhares de pessoas trabalham diariamente na proteção do país contra incêndios, mas lamentou não conseguir contratar sapadores florestais.
Nuno Banza falava na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Negócios dos Incêndios Rurais, quando apontou que já foram limpos mais de 200 mil hectares do território (não foram mais por meios terem sido desviados para região de Leiria devido às tempestades do início do ano) e milhares de caminhos.
O responsável ressalvou que o fogo é um instrumento do mundo rural, que não é possível nem desejável limpar todo o país, e referiu a importância do fogo controlado, que teve uma primeira fase de 700 mil euros para apoiar candidaturas a fogo controlado, devendo abrir uma nova fase de um valor a rondar o milhão de euros.
Para explicar a importância do fogo Nuno Banza exemplificou que a plataforma criada para assinalar queimas e queimadas tem uma média de mais de um milhão de registos por ano, e explicou que na plataforma se juntou uma ferramenta de gestão de meios de trabalho florestal nos períodos mais críticos de incêndios.
A nova ferramenta, referiu, tem já a adesão de 60 autarquias. "Para que os trabalhos florestais possam decorrer em segurança", disse, explicando que os alertas sobre risco de incêndio tinham como consequência as empresas não poderem trabalhar. "Criamos condições para que possam trabalhar", justificou.
O responsável enfatizou o trabalho de prevenção que tem sido feito pelo ICNF, ("há milhares de pessoas todos os dias a desenvolver trabalho de prevenção") mas lamentou a dificuldade em contratar para o instituto. É que, afirmou, foram abertos concursos para criar uma força de 600 bombeiros florestais e até agora apenas foi possível contratar 167, com meia centena ainda em formação.
"Não há candidatos", porque onde são precisos mais trabalhadores é sobretudo onde há menos potenciais candidatos, nas zonas rurais, disse. E deu outro exemplo: no presente ano letivo em todo as instituições do país onde existe a opção apenas entraram 11 candidatos para Engenharia Florestal. "Não há engenheiros florestais no mercado disponíveis para contratar".
Na resposta às perguntas dos deputados Nuno Banza disse que quase todas as recomendações da Comissão Técnica Independente sobre os incêndios foram executadas, e afirmou que é preciso um sistema de prevenção que dê melhores respostas.
E garantiu que nunca teve conhecimento de qualquer situação em que interesses económicos condicionassem a ação do instituto ou da existência de práticas contrárias à lei, afirmando mesmo não ver necessidade de mais transparência no setor.
Nuno Banza explicou que desde 2022 as hastas públicas (de venda de madeira) são eletrónicas, para dar mais segurança e transparência ao processo.