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Fact Check Madeira

Direito de Resposta de Miguel de Sousa

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De acordo com o estipulado na Lei da Imprensa, publicamos o Direito de Resposta de Miguel de Sousa sobre o Fact Check publicado no dia 17 de Junho.

Fact Check: falso

Terão todos os fact-checks a mesma leviandade?

Há gente que não fez nada nesta vida e vive obcecada com o sucesso dos outros. É triste passar por aqui e não deixar rasto. Desta vez acertaram onde mais me magoa.

Ao contrário de outros, eu não minto e não aceito deturpações da História. Muito menos que insinuem ser mentiroso.

Fiz um post no Facebook que dizia o seguinte: ”Festejaram 40 anos da Horários do Funchal sem ter a cortesia de convidar o seu criador”.

Ora, o “jornalista” Miguel Fernandes Luís gastou uma página do Diário para dizer que era “impreciso” ser eu o criador da Horários do Funchal. Imaginem! Impreciso. Não é sim nem não. Diz não se perceber. Ele não percebe.

Então, porque não investigou com competência e exaustão? Como é exigido. Urgência em publicar qualquer coisa mesmo que imprecisa?

Para o jornalista é imprecisa uma evidência. Só para ele. Para mais ninguém. E o Diário publica como se fosse verdade. E não é. Até porque, o texto, cheio de erros crassos, induz facilmente para ter sido eu o criador.

Vamos por partes.

Toda a realização, incluindo a minha, no governo regional é responsabilidade do seu presidente, Alberto João Jardim. Em nome da Madeira, do PSD e do presidente do governo, exerci funções no governo que me permitiram fazer muita tarefa em prol da Região. Assim, tudo foi obra dos mandatos do presidente Alberto João. Ponto.

Apenas, como é normal e comum aceitar, o presidente não faz tudo. Nomeia secretários regionais que assumem a responsabilidade pela condução política dos sectores que lhe são atribuídos. Têm autonomia dentro de determinadas regras e montantes de despesa. Quando elevados a lei obriga a proporem para aprovação ao plenário do governo. No extremo, em termos financeiros, é tudo aprovado no orçamento pela Assembleia Legislativa.

Entre 1978 - 24 anos de idade - e 1980, fui Director Regional de Transportes. Apanhei com greves na TAP (monopolista nesse tempo) e na marinha mercante. Tive de fretar aviões e navios para evitar o isolamento. Um mês sem aviões para Lisboa e Porto, três meses sem navios de e para o Continente. Na época da banana. Destaquei-me.

De 1980 a 1992 fui secretário regional do Comércio e Transportes, depois do Plano e finalmente Vice-Presidente do governo.

Os transportes terrestres, nomeadamente os transportes públicos colectivos, foram tema de intervenção política permanente, sendo realizado, no Funchal, por sete empresas privadas. Uma delas falida e outra sem descapitalizada. Careciam de investimento, serviço de qualidade e preço acessível. Quase todos excelentes empresários e gestores, condicionados pelo 25 de Abril, greves e outras dificuldades da ocasião.

Sou eu que forço a constituição da TRANSFUNCHAL, em 1982, tomando como base a realidade dos transportes nas cidades idênticas ao Funchal. A Consulplano parte de uma decisão política para uma avaliação técnica. Que já está decidido por mim. Avalia a operação consequente.

A TRANSFUNCHAL era a condição estratégica para o governo apoiar o serviço publico realizado por empresas privadas. Se falhasse seria “fácil” nacionalizar.

Um acidente muito grave com um autocarro em 1984 exige medidas imediatas no âmbito dos operadores privados que se reuniam na ACIF.

Sete empresas juntas, com o fraco espírito associativo do madeirense, não resultava. Eram desiguais. As concessões das carreiras tinham sido fixadas até ao final de 1986. Eu tinha até essa data para montar a nova estrutura empresarial, criar instalações, adquirir novos autocarros e motivar o pessoal oriundo da empresa privada. Então, transferir todas as concessões para a nova empresa.

A TRANSFUNCHAL ameaçou vender todos as suas velhas camionetas para Luanda, o que me fez pedir ajuda à Carris para a aquisição da frota necessária - 150 autocarros. Mas desistiram dessa intenção o que fez precisar de “apenas” setenta e cinco novos autocarros.

O Coronel Ramiro Morna do Nascimento, e a restante equipa instaladora, começa a trabalhar no projecto, já decidido, apenas em Abril de 1985, quando toda a decisão política está por mim tomada. É exactamente por já haver deliberação de regionalizar, não a TRANSFUNCHAL como o jornalista erradamente escreve, mas as carreiras concessionadas a esta empresa até final de 1986, criando nova empresa, que é nomeada uma equipa técnica para o projecto.

A HORÁRIOS DO FUNCHAL faz a sua primeira viagem às duas horas da madrugada de 1 de Janeiro de 1987. Eu tinha já nove anos de transportes públicos colectivos. E sempre me acompanhou, com profissionalismo máximo, o eng. António Cruz Neves, Diretor Regional de Transportes Terrestres.

O Coronel Morna do Nascimento e a sua equipa desempenham uma missão importantíssima, que foi operacionalizar as decisões que eu tomei para a criação da nova empresa.

As grandes criações envolvem muita gente que ajudam ao sucesso. Mas a paternidade nunca tem dúvida, para quem é sério, isento e profissional.

Ninguém faz, seja o que for, só. O jornalista assina o “fact check” mas socorreu-se de outras pessoas para realizar o trabalho. De mim por exemplo. Mas assinou como se tudo fosse de sua sabedoria. É incoerente e perdeu credibilidade. Tenta amachucar-me sem êxito. Porque os leitores já sabem onde está o vício da notícia. Como tantos outros que nem sempre descortinamos nas notícias e que podem eventualmente ser tratados com idêntica leviandade. Sem o rigor exigido. O jornalista partiu de premissas erradas para uma conclusão absurda. Porque só não percebe quem não quer.

Ontem, quando me reuni com os meus amigos para ver Portugal e Cristiano Ronaldo, o primeiro comentário unânime foi: “o Diário não te grama mesmo”.

Nota: resposta alterada três vezes por imposição do Diário, ao não aceitar os anteriores textos para publicação.