PJ desmantela rota de tráfico de droga que passava ao largo da Madeira
Operação 'Azul 2.0' permitiu desmantelar uma rota de tráfico que transportavam cocaína da América Latina para a Europa
Os esforços das autoridades concentraram-se no corredor do Atlântico Oriental, entre as Ilhas Canárias (Espanha) e os arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores.
A Polícia Judiciária (PJ) liderou uma operação internacional, denominada 'Azul 2.0', em colaboração com o MAOC-N e com a FRONTEX, e com o apoio da Europol, de combate ao tráfico de droga que resultou na apreensão de mais de 465 quilos de cocaína e 42 quilos de haxixe, desmantelando uma importante rota de tráfico de cocaína, através do Oceano Atlântico
Segundo um comunicado enviado, durante a fase operacional foram mobilizados meios marítimos em diferentes zonas do Atlântico para "detectar, monitorizar e interceptar embarcações suspeitas envolvidas no transporte de cocaína, da América Latina para a Europa, através de complexas transferências em alto-mar. Os esforços das autoridades concentraram-se no corredor do Atlântico Oriental, entre as Ilhas Canárias (Espanha) e os arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores."
A operação foi lançada após ter sido identificado este 'modus operandi' pela PJ, , em parceria com os países participantes no MAOC-N, que têm vindo a reforçar conjuntamente a coordenação marítima e a cooperação operacional para alcançarem resultados positivos.
No comunicado dá conta que foram apreendidos: mais de 465 quilos de cocaína, mais de 42 quilos de haxixe, uma embarcação, duas embarcações de alta velocidade, 800 litros de combustível. Explica ainda que seis embarcações foram inspecionadas.
A operação resultou, ainda, na detenção de três pessoas.
"O esforço conjunto dos vários países e agências antidroga envolvidos na operação permitiu infligir um golpe significativo naquilo que é conhecido como a “Autoestrada da Cocaína”. A informação recolhida permitirá agora identificar e desmantelar as redes criminosas responsáveis por estas operações transatlânticas", refere.
A recente operação confirma as tendências que o MAOC-N e os países nele representados tinham identificado no início do ano passado: "as redes criminosas recorrem cada vez mais ao transporte marítimo de cocaína para reduzir a sua exposição à ação das autoridades nos grandes portos. Os carregamentos são catualmente transportados em várias etapas através do Atlântico:
- As embarcações-mãe recolhem a cocaína, na América Latina, e percorrem centenas ou milhares de milhas náuticas até águas internacionais. Estas embarcações incluem navios porta-contentores, graneleiros e embarcações não comerciais de menor dimensão;
- As transferências em alto-mar ocorrem quando a carga é transbordada para embarcações de alta velocidade com capacidade para longas travessias, incluindo embarcações pneumáticas semirrígidas e outras embarcações rápidas;
- Na fase final, as embarcações de alta velocidade transferem a cocaína para embarcações mais pequenas, destinadas ao desembarque em zonas costeiras remotas e pequenas marinas, ou descarregam diretamente nas praias para evitar a deteção.
A operação foi liderada e coordenada pela Polícia Judiciária, em colaboração com as autoridades policiais de Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos da América. O MAOC-N apoiou a recolha e análise de informação ao longo de toda a operação e a FRONTEX disponibilizou meios aéreos.
No comunicado de imprensa informa também que a Europol prestou apoio contínuo durante todo o período operacional, verificando dados operacionais relativos às embarcações monitorizadas e intercetadas, tanto em mar como em terra.
As conclusões preliminares da operação reform a avaliação de que: as águas internacionais entre as Ilhas Canárias e os Açores estão a ser, cada vez mais, utilizadas por redes criminosas para operações de transbordo de cocaína em larga escala, tirando partido do isolamento da área e dos desafios operacionais associados à vigilância marítima; Esta zona passou a ser conhecida entre as Autoridades como “Autoestrada da Cocaína”, devido ao crescente número de embarcações utilizadas para transportar cocaína para a Europa através deste corredor atlântico e que as operações marítimas orientadas por informação de inteligência, combinadas com intervenções táticas coordenadas no mar, são essenciais para desmantelar este modelo de tráfico. O MAOC-N, juntamente com os países europeus e diversas agências europeias, desempenha um papel central neste esforço, integrando informação de inteligência, dados operacionais e parceiros internacionais de ambos os lados do Atlântico.
Todos os países envolvidos continuarão a analisar a informação de inteligência recolhida durante a operação, com vista a apoiar investigações em curso, identificar redes criminosas associadas e reforçar o combate às rotas marítimas de tráfico de cocaína." Comunicado da Polícia Judiciária
Na operação participaram, entre outras entidades portuguesas, a Marinha Portuguesa, a Força Aérea, a GNR, a PSP, a Autoridade Tributária e Aduaneira e a Autoridade Marítima Nacional/Polícia Marítima.
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