Doroteia Leça pede apoio para escarpa, saneamento, habitação e via rápida
Já ia longa a intervenção quando a mensagem foi deixada: a Calheta precisa do apoio do Governo Regional para concretizar obras consideradas essenciais à segurança, à qualidade de vida e ao futuro do concelho. Doroteia Leça na sessão solene comemorativa dos 524 anos do município, que decorre no molhe do Porto de Recreio, num discurso em que a presidente da Câmara assumiu pedidos explícitos ao presidente do Governo Regional.
O primeiro pedido incidiu sobre a intervenção na escarpa da Calheta, considerada uma obra estruturante não apenas para o concelho, mas para toda a Região. Recordou que a marginal da Calheta é hoje uma via de grande circulação, utilizada diariamente por residentes, trabalhadores, visitantes e turistas, numa zona que se tornou uma das imagens mais marcantes da Madeira contemporânea.
A presidente da Câmara adiantou que o município já recebeu o estudo e o projecto da intervenção, mas pretende avançar para uma consulta ao mercado, de forma a apurar o valor real da obra. Ainda assim, deixou claro que se trata de um investimento “incomportável” para a autarquia, pedindo ao Governo Regional que assegure a verba necessária para tornar a intervenção uma realidade.
Outro dos pedidos centrou-se no alargamento da rede de saneamento básico. A edil classificou esta matéria como uma necessidade evidente, uma prioridade ambiental, uma exigência de saúde pública e uma condição essencial para a qualidade de vida das populações. Num concelho extenso, disperso e com uma orografia exigente, a autarca sublinhou que o investimento necessário é muito elevado, razão pela qual voltou a solicitar o apoio do Governo Regional.
A habitação mereceu uma atenção especial no discurso. Doroteia Leça agradeceu as 26 moradias já construídas e reconheceu o empenho do Governo Regional na construção de mais habitações no concelho, nomeadamente em terrenos contíguos aos edifícios existentes. Da parte da Câmara, adiantou que já foram identificados alguns imóveis e que está a ser projectada a readaptação de escolas desactivadas para habitação jovem.
A autarca alertou que a crescente atractividade da Calheta, embora positiva, trouxe uma pressão acrescida no acesso à casa, sobretudo para os jovens, para as famílias da classe média e para quem quer continuar a viver na sua terra. Por isso, defendeu a necessidade de respostas em parceria, capazes de fixar pessoas, proteger famílias e garantir que a Calheta continua a ser terra de quem ali nasceu, trabalha e quer construir futuro.
A chegada da via rápida à Calheta foi outro dos pontos destacados. Doroteia Leça classificou esta ligação como uma urgência e uma necessidade, recusando a ideia de se tratar de um capricho. A pressão sobre os acessos, disse, é consequência do desenvolvimento e da atractividade do concelho, mas exige uma solução “tão breve quanto possível”.
No fecho deste bloco do discurso, a presidente da Câmara assumiu frontalmente que estava a pedir pela Calheta. Pela segurança das estradas, pela protecção da marginal, pela expansão do saneamento, pela habitação dos jovens, pela qualidade de vida das famílias e pelo futuro das freguesias.
“Peço porque a Calheta merece. Peço porque a Calheta cumpriu. Peço porque a Calheta tem sabido honrar cada oportunidade que recebeu”, afirmou, defendendo que o pedido não nasce de fraqueza, mas de amor à terra e da convicção de que Município e Governo Regional devem continuar a trabalhar juntos para tornar o concelho mais preparado e mais forte.