Sociedades de Desenvolvimento ocupam espaço que ia ser Museu da Música Tradicional
A deputada do JPP, Patrícia Spínola, acusou hoje o Governo Regional de ter abandonado o projecto do Museu do Max e da Música Tradicional Madeirense, denunciando que o edifício apontado durante anos para acolher o equipamento cultural acabou por ser destinado à instalação das Sociedades de Desenvolvimento da Madeira.
Durante uma intervenção na Assembleia Legislativa da Madeira, a parlamentar traçou o histórico de uma proposta que remonta a 2018, quando o JPP apresentou uma resolução para a criação de um Museu da Música Tradicional da Madeira, destinado à preservação, estudo e divulgação do património musical da Região. A iniciativa foi rejeitada pela maioria PSD, que justificou a decisão com a existência do projecto da «Casa de Max», formalizado através de um protocolo assinado em 2017 entre o Governo Regional e a família do cantor madeirense Maximiano de Sousa, conhecido como Max.
Segundo Patrícia Spínola, o projecto da Casa de Max revelou-se insuficiente para responder às expectativas do sector cultural, uma vez que se centrava na homenagem ao artista, ligado à música ligeira, e não na preservação global da música tradicional madeirense.
A deputada recordou que, em 2024, o JPP voltou a apresentar uma nova proposta, mais abrangente, sob a designação de Museu da Música da Madeira. O projecto passou a incluir tanto a música erudita como a música popular e tradicional, tendo sido aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa e dado origem à Resolução n.º 20/2024/M.
No entanto, afirmou, a concretização do museu continua sem avançar. Patrícia Spínola destacou que os sucessivos PIDDAR registaram referências ao futuro museu, apontando como localização os edifícios n.º 23, 25 e 27 da Rua Nova de São Pedro, no Funchal, alvo de uma reabilitação que se prolongou durante vários anos.
Contudo, após solicitar uma visita ao espaço, o JPP recebeu uma resposta da Secretaria Regional de Equipamentos e Infra-Estruturas informando que, na sequência da reorganização governamental, o edifício passou a ser destinado à instalação das Sociedades de Desenvolvimento da Madeira. A tutela acrescenta que está a estudar alternativas para acolher o Museu do Max e da Música Tradicional Madeirense.
Para a deputada, a decisão representa um "puxar de tapete" às associações culturais e aos promotores do projecto, questionando como é possível o PIDDAR para 2026 já prever verbas e uma entidade responsável pelo museu quando o próprio Governo admite ainda não ter definido o local onde será instalado.
"Aquilo que foi prometido durante anos às instituições culturais e à família de Max acabou substituído por um conjunto de gabinetes para organismos públicos", criticou.
Patrícia Spínola apontou ainda contradições entre a situação actual e as declarações anteriormente feitas por deputados da maioria, que garantiram publicamente que a instalação do museu constituía um compromisso do Governo Regional e que o projecto estava inscrito nos planos de investimento.
A parlamentar concluiu reafirmando a necessidade de criar uma estrutura pública de protecção e valorização do património musical madeirense, defendendo que os grupos de música tradicional, responsáveis pela preservação do cancioneiro e do espólio musical regional, continuam sem o reconhecimento institucional prometido.
"O que este caso demonstra é a forma como se brinca com os valores e com o dinheiro da população", afirmou.