Montenegro mantém "confiança absoluta" na ministra do Trabalho
O primeiro-ministro manifestou hoje "confiança absoluta" na ministra do Trabalho, afirmando que a governante "mais não fez do que apresentar a posição do Governo" sobre o pacote laboral, que se mantém "inamovível e intocável".
"Confiança absoluta. A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social [Maria do Rosário Palma Ramalho] mais não fez do que apresentar a posição do Governo. E a posição do Governo é inamovível, intocável. É da senhora ministra e é minha", afirmou Luís Montenegro.
O primeiro-ministro falava em conferência de imprensa no final da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Bruxelas, tendo sido questionado sobre se mantinha a confiança na ministra do Trabalho após o chumbo do pacote laboral no parlamento.
"A confiança é uma questão que nem sequer se coloca, honestamente", disse.
Montenegro considerou que, com o chumbo do pacote laboral, "Portugal perdeu uma grande oportunidade de poder ter uma economia mais competitiva, um mercado laboral mais dinâmico" e tornar-se um "país mais atrativo" para "captar investimento" e "reter capital humano".
"E fazê-lo através de melhores condições para crescer, para criar riqueza e para poder aproveitar essa riqueza para pagar melhores salários e sustentar o Estado social, incluindo, já agora, o sistema de pensões", afirmou.
Questionado se ficou desiludido com o Chega por ter votado contra, Montenegro respondeu que não lhe cabe a ele ficar desiludido com partidos, mas antes aos portugueses "apreciarem e ficarem satisfeitos ou insatisfeitos com as posições de cada um".
O primeiro-ministro frisou que, no que se refere à posição do Governo, foi sempre demonstrada, quer em sede de Concertação Social ou na Assembleia da República, "abertura total à negociação" e disponibilidade para aprofundar "cada uma das suas normas e direções do ponto de vista estratégico".
Sobre se considera que o chumbo de hoje pode ser considerado uma coligação negativa contra o Governo e uma vitória sindical, Luís Montenegro remeteu a "análise da situação política de uma forma mais aprofundada" para o Congresso do PSD, que se realiza este fim de semana em Sangalhos.
"Temos congresso amanhã [sábado] e domingo e, portanto, remeto para essa altura considerações mais de natureza da avaliação e análise da situação política, que também gosto de fazer", disse.
A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi hoje chumbada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.
O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL.
Chega, PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP votaram contra.