Reunião mostrou empenho para encontrar solução de paz na Ucrânia
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou que a reunião de hoje do Conselho Europeu, centrada na Ucrânia, demonstrou o empenho dos líderes da União Europeia (UE) "na procura de uma solução de paz, justa e duradoura".
"A reunião desta noite no Conselho Europeu com a presença de Volodymyr Zelensky mostrou que a União Europeia continua ao lado da Ucrânia e empenhada na procura de uma solução de paz, justa e duradoura", reagiu Luís Montenegro, numa publicação na rede social X.
"Ao mesmo tempo, apoiamos a adesão da Ucrânia à UE", adiantou o chefe de Governo, na mensagem divulgada após os líderes europeus terem aprovado esta noite, pela primeira vez em 18 meses, conclusões sobre o conflito por unanimidade, nas quais dizem estar preparados para intensificar o empenho em esforços diplomáticos para acabar com a guerra.
Os líderes da UE estão hoje e sexta-feira reunidos em Bruxelas para debater o apoio à Ucrânia, numa fase de avanço do alargamento do bloco comunitário.
Na quarta-feira, foi conhecido que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, já iniciou breves contactos diplomáticos para abrir vias de comunicação com Rússia, face a futuras negociações de paz com a Ucrânia.
Fontes europeias ouvidas pela Lusa admitiram que tal notícia não agradou a alguns embaixadores, sendo certo que a discussão de hoje sobre a Ucrânia -- realizada como habitual à porta fechada -- durou mais do que o esperado, inicialmente com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na sala e depois apenas com os 27 líderes da UE.
Um alto funcionário europeu apontou que, relativamente aos recentes e breves contactos diplomáticos com o regime russo, António Costa explicou na sala que "pediu ao seu gabinete para abrir um canal diplomático com a Rússia".
"O objetivo era estar preparado para, quando chegar o momento adequado, defender os interesses da UE", relatou, salientando que tal está alinhado com o solicitado por Volodymyr Zelensky, que pediu à Europa para assumir um papel mais ativo nos esforços diplomáticos.
Numa altura de especulação sobre nomes para desempenhar o papel de interlocutor da UE para as negociações de paz na Ucrânia com a Rússia, as mesmas fontes salientaram que a União deve permanecer coordenada sobre a forma de contactar com a Rússia e sobre qual deve ser a sua posição.
"O papel do presidente [António Costa] é preservar a unidade da UE. Vários líderes também assinalaram que, em conformidade com os Tratados, o presidente é o representante natural dos interesses da UE", adiantou um diplomata.
Em declarações aos jornalistas portugueses na chegada à cimeira europeia, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou haver "algumas personalidades portuguesas" que poderiam desempenhar tal papel, sem indicar nomes.
Este primeiro dia do Conselho Europeu de dois dias ficou marcado sobretudo por esta discussão sobre os esforços diplomáticos para apoiar a Ucrânia, sendo que o objetivo é reforçar a posição ucraniana e aumentar a pressão sobre a Rússia tendo em vista futuras negociações de paz.
Neste debate, António Costa sublinhou, ainda, a necessidade de a UE estar preparada para assumir a sua responsabilidade, caso e quando existam condições adequadas para um envolvimento com a Rússia, ajudando a garantir uma paz justa e duradoura que também salvaguarde os interesses da Europa, de acordo com fontes europeias.
Este debate surgiu num momento em que se intensificam as conversações internacionais sobre possíveis negociações de paz na Ucrânia e aumenta o debate sobre qual deverá ser o papel da UE nesse processo, incluindo quem poderá representar os interesses europeus em eventuais contactos diplomáticos com a Rússia.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022.