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Petróleo sobe 5% antes de acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente

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Foto Shutterstock

Os preços do petróleo chegaram ontem a subir 5%, refletindo o nervosismo dos mercados antes da assinatura, prevista para sexta-feira, de um acordo entre Teerão e Washington para pôr termo à guerra no Médio Oriente.

Pelas 15:20 GMT (16:20 em Lisboa), o barril de Brent do Mar do Norte, referência para o mercado europeu, para entrega em agosto avançava 1,44%, para 80,10 dólares, depois de ter estado próximo dos 83 dólares.

Já o barril de West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, para entrega em julho, valorizava 1,58%, para 77,25 dólares.

Os analistas contactados pela AFP não conseguiram identificar uma razão específica para a subida repentina das cotações, que acabou por perder força pouco depois. Ainda assim, os preços do petróleo mantinham-se hoje bastante voláteis.

"Os investidores habituaram-se às mudanças de posição do Presidente norte-americano e ninguém espera que o petróleo regresse aos níveis anteriores ao conflito enquanto o acordo não estiver formalmente assinado", afirmou Danni Hewson, analista da AJ Bell.

Mais cedo, os preços do petróleo já registavam ganhos depois de Israel ter realizado vários ataques no sul do Líbano durante a manhã desta quarta-feira.

Desde o anúncio de um acordo com os Estados Unidos, na segunda-feira, o Irão tem insistido que o entendimento deverá incluir o fim das hostilidades no Líbano, onde Israel afirma ter como alvo o Hezbollah, aliado de Teerão.

"Esta notícia reacendeu os receios de que o acordo de paz possa enfrentar dificuldades, existindo o risco de Israel comprometer o processo", afirmou à AFP Ipek Ozkardeskaya, analista da Swissquote.

Na terça-feira, o Brent tinha recuado para abaixo dos 80 dólares por barril pela primeira vez desde março, perante a perspetiva de retoma da navegação no estreito de Ormuz.

A Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA) revelou também hoje que as reservas comerciais de petróleo bruto norte-americanas diminuíram cerca de 8,3 milhões de barris na semana terminada em 12 de junho, mais do dobro do esperado pelos analistas.

No relatório mensal igualmente divulgado hoje, a Agência Internacional da Energia (AIE) confirmou que a guerra no Médio Oriente está a reduzir as reservas petrolíferas "a um ritmo recorde".

Ainda assim, a AIE reviu em baixa as previsões para a procura mundial de petróleo em 2026.

A assinatura do memorando de entendimento está prevista para sexta-feira e marcará o início de um processo negocial de 60 dias destinado a alcançar um acordo de paz definitivo entre Washington e Teerão.

O entendimento foi anunciado no domingo pelo Paquistão, que tem desempenhado funções de mediação entre as partes, e posteriormente confirmado pelos governos norte-americano e iraniano.

O documento surge após mais de três meses de conflito no Médio Oriente, desencadeado pela ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Entretanto, persistem divergências quanto ao alcance do acordo, com Teerão a alertar que os ataques israelitas no Líbano poderão constituir uma violação dos compromissos assumidos no âmbito do entendimento alcançado com Washington.