Marítimo versus apoios públicos
A subida do Club Sport Marítimo à I Liga devolve à Madeira um dos seus maiores símbolos desportivos e representa uma boa notícia para a Região, não apenas do ponto de vista emocional, mas também económico e promocional. O futebol profissional continua a ter impacto na projecção externa do arquipélago, na dinâmica comercial e na mobilização social. Contudo, o regresso ao principal escalão não pode servir para perpetuar modelos de gestão assentes na dependência permanente dos dinheiros públicos.
O clube recebe mais de dois milhões de euros do Governo Regional, um valor que, por si só, já constitui um apoio muito significativo para a realidade madeirense. Num contexto em que há carências na saúde, habitação, mobilidade e custo de vida, é legítimo exigir rigor absoluto na utilização desses recursos. O futebol profissional deve ser gerido com critérios empresariais, sustentabilidade financeira e responsabilidade orçamental.
A paixão dos adeptos não pode justificar desequilíbrios crónicos, nem transformar o contribuinte em financiador sem limites. Tal como qualquer empresa, um clube tem de adequar custos às receitas, planear investimentos e responder pelos resultados da sua gestão. O sucesso desportivo deve assentar numa estrutura sólida e não numa dependência recorrente do erário público.
Fátima Fernandes