Presidente Governo dos Açores recebe prémio internacional por criação de áreas marinhas protegidas
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebe hoje, nos Estados Unidos, o prémio internacional "Peter Benchley Ocean Awards", que considera um motivo de orgulho para a região.
"Essa distinção, sobretudo, eleva os Açores e os açorianos e é nestes termos que a recebo com enorme orgulho. Estão de parabéns os Açores, porque nós tomamos políticas com dimensão legislativa, fundada na ciência, através dos nossos cientistas e dos nossos investigadores, e tomámos uma decisão política e legislativa aprovada no parlamento, o que lhe dá estabilidade", afirmou o chefe do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), em declarações aos jornalistas.
José Manuel Bolieiro recebe hoje, no Monterey Bay Aquarium, em Cannery Row, na Califórnia, o prémio internacional "Peter Benchley Ocean Award", na categoria "Excellence in National Leadership".
Segundo o presidente do Governo Regional, esta distinção reconhece o trabalho realizado na sustentabilidade e na proteção do oceano, com a criação de uma rede de áreas marinhas protegidas equivalente a 30% do mar dos Açores.
"A nossa dimensão marítima é que nos dá amplitude e cumprimos um objetivo que, aliás, é um objetivo de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, mas fizemo-lo a liderar pelo exemplo e não porque corremos atrás dos outros", apontou.
José Manuel Bolieiro sublinhou que os Açores foram "líderes pelo exemplo globalmente" ao implementar "a maior área marinha protegida do Atlântico Norte".
"O mar português é porventura o quinto maior mar da União Europeia, mas o mar português é 56% do mar dos Açores. Nós somos o maior mar de Portugal e acrescentamos valor ao mar português na União Europeia. Nós somos a maior dimensão atlântica da União Europeia. Estamos, por isso, a dar o exemplo, estamos à frente. Não estamos a correr, porque os outros já fizeram. Adiantamo-nos", salientou.
O chefe do executivo açoriano destacou ainda que a criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA) se baseou no conhecimento científico.
"Quero exaltar a nossa Universidade dos Açores, os nossos investigadores, no conhecimento da nossa coluna de água, do nosso mar profundo, do trabalho que tem sido realizado no mapeamento", elogiou.
José Manuel Bolieiro lembrou também que o executivo procurou "consensos", promovendo um diálogo com todos as partes interessadas, e garantiu que os pescadores não serão prejudicados.
"Claro que nestas coisas não há unanimidades, porque quem está mais do lado da economia extrativa pensa estar penalizado, mas não estará, porque estaremos aqui solidários no que diz respeito às demonstradas e vivenciadas perdas de rendimento. Podemos compensar, porque é de curto prazo, e também assegurar, desde logo, uma reestruturação do setor das pescas, mas dar amplitude à economia azul", assegurou.
O presidente do Governo Regional admitiu que as "mudanças criam sempre reservas", mas defendeu que o "reconhecimento internacional" mostra que os Açores estão no "bom alinhamento".
"Penso que estou a servir bem, não apenas a geração deste presente que vivemos, mas sobretudo as novas gerações e a dimensão de um prestígio mais global da decisão política, da decisão económica, da decisão social, da solidariedade intergeracional que apresentamos nos Açores para o mundo", declarou.
Criados por Wendy Benchley e David Helvarg, em homenagem ao escritor e ativista pela conservação dos oceanos Peter Benchley, estes prémios são conhecidos como os "Óscares do Oceano" e distinguem todos os anos personalidades e instituições que contribuem para a proteção e recuperação do meio marinho.
A categoria "Excellence in National Leadership" distingue representantes de Estados que se destacam por políticas de proteção e gestão sustentável do oceano, com impacto à escala nacional e internacional.