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Pressão automóvel domina diagnóstico em Santa Cruz

Excesso de carros e falta de alternativas marcam mobilidade no concelho

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O excesso de automóveis, agravado pelo peso das rent-a-car, é um dos principais problemas identificados no diagnóstico ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Santa Cruz. A conclusão foi sublinhada pela engenheira Paula Teles, à margem da apresentação pública do documento, numa conversa conduzida por Ricardo Miguel Oliveira, director-geral editorial da EDN e director do DIÁRIO.

A especialista alertou para a pressão crescente sobre o território, defendendo que “não é possível cada turista que chega ao aeroporto ter direito a um automóvel”. Segundo afirmou, a entrada semanal de centenas de viaturas contribui para um cenário de saturação, com impactos directos na qualidade de vida e na gestão do espaço público.

Paula Teles defendeu a necessidade de reorganizar a mobilidade, com aposta clara no transporte público e na criação de corredores dedicados. “Hoje o importante não é a distância, é o tempo”, afirmou, sublinhando que o transporte colectivo só será competitivo se circular em vias próprias, livres de congestionamento.

A técnica destacou ainda a importância de articular diferentes níveis de decisão, reconhecendo que muitas das soluções dependem de competências partilhadas entre autarquias e Governo Regional. Ainda assim, considerou essencial avançar com medidas locais, nomeadamente ao nível da melhoria dos percursos pedonais e da reorganização do estacionamento.

Também a presidente da autarquia, Élia Ascensão, sublinhou a necessidade de agir com rapidez, defendendo que o concelho “não pode esperar” por soluções externas. A autarca destacou a criação de interfaces como uma das prioridades, permitindo aos automobilistas deixar o carro e prosseguir viagem em transporte público.

Entre as intervenções previstas está a reorganização de zonas centrais, como a futura praça Lourdes de Castro, pensada como ponto de articulação entre diferentes modos de transporte. A estratégia inclui ainda ajustes na circulação, criação de sentidos únicos e reforço das condições para a caminhabilidade.

Já o urbanista Pedro Ribeiro destacou a necessidade de repensar o ordenamento do território, defendendo que o planeamento deve ir além do Plano Director Municipal. O técnico apontou a criação de novas centralidades e a definição clara de usos do solo como factores essenciais para reduzir a dispersão e melhorar a mobilidade.

Os intervenientes convergiram na ideia de que o actual modelo, assente no automóvel, é insustentável, exigindo uma abordagem integrada que privilegie o transporte colectivo, a gestão eficiente do espaço e a melhoria das condições para andar a pé.