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Costa defende "forma europeia de fazer as coisas" em reunião dominada pelos EUA

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FOTO Leszek Szymanski/EPA

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje a "forma europeia de fazer as coisas" através do multilateralismo e com respeito pelo direito internacional, em cimeira dominada por decisões dos Estados Unidos, sobretudo na defesa.

"A história da paz na Europa, num mundo onde a escalada e a guerra parecem dominar, é algo que deve ser celebrado. Existe uma forma europeia de fazer as coisas: através do multilateralismo, com o sistema das Nações Unidas no seu centro e com respeito pelo direito internacional", afirmou António Costa, falando à imprensa no final da oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, em Erevan, na Arménia.

Para o antigo primeiro-ministro português, esta reunião de alto nível de líderes europeus "foi verdadeiramente histórica" por ser a primeira realizada na região do Cáucaso do Sul, pelo que "será para sempre lembrada como a cimeira da paz no Cáucaso, alcançada através de escolhas políticas corajosas e de esforços diplomáticos pacientes", dados os esforços de paz da Arménia e do Azerbaijão relativamente ao território de Nagorno-Karabakh.

"No atual contexto geopolítico, é cada vez mais claro que o nosso continente precisa de uma visão de segurança a 360 graus. Reunir-nos aqui na Arménia, tão perto do Médio Oriente, é um lembrete claro de que a guerra na vizinhança da Europa tem um impacto direto na nossa segurança comum, no nosso abastecimento energético e na nossa economia", salientou António Costa.

O presidente da instituição que junta os chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) frisou que "mais do que nunca", o bloco comunitário "precisa de trabalhar lado a lado com a Arménia e com a região em prol da paz e da estabilidade".

"Uma paz e estabilidade duradouras devem assentar em instituições democráticas resilientes e em fortes laços económicos entre os povos", afirmou ainda.

O encontro ficou, contudo, dominado por recentes anúncios do Presidente norte-americano, Donald Trump, como a retirada de tropas da NATO na Alemanha por estar descontente com os aliados europeus na falta de apoio logístico à guerra contra o Irão.

Donald Trump anunciou também que pretende avançar com uma iniciativa para assegurar a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão após o início da ofensiva norte-americana e israelita no final de fevereiro.

Fontes europeias ouvidas pela Lusa admitiram que o encontro de hoje foi marcado pela pressão norte-americana, sobretudo sobre a NATO, mas indicaram que tal leva a Europa a reforçar a sua defesa e segurança.

Quanto à Ucrânia, Costa defendeu, nestas declarações aos jornalistas sem direito a perguntas, avanços no processo de adesão à UE, pedindo que se abra "o primeiro conjunto de negociações o mais rapidamente possível".

E prometeu que a UE "permanecerá ao lado da Ucrânia durante o tempo necessário para alcançar uma paz sustentável, justa e duradoura, com pleno respeito pela integridade territorial da Ucrânia".

A capital da Arménia, Erevan, recebeu hoje uma cimeira da CPE para debater a estabilidade do continente europeu face às tensões geopolíticas mundiais sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa".

Da lista oficial de participantes, que são mais de 40, constam 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo da UE, incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participou.

A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão russa da Ucrânia.