Corina Machado defende renovação eleitoral em dia de protestos mundiais
A líder opositora venezuelana María Corina Machado defendeu hoje a renovação urgente do Conselho Nacional Eleitoral como condição para eleições na Venezuela, num dia marcado por manifestações em várias cidades do mundo pela libertação de presos políticos.
Durante uma intervenção em Washington, Corina Machado afirmou que o país necessita de "um novo Conselho Nacional Eleitoral" que cumpra a Constituição e seja composto por pessoas independentes, com "honorabilidade" e "credibilidade", defendendo ainda a revisão do registo eleitoral e a presença contínua de observadores internacionais.
A dirigente opositora considerou também "fundamental" o desmantelamento da estrutura repressiva na Venezuela e insistiu na libertação de todos os presos políticos, que estimou em mais de 500, entre civis e militares.
Corina Machado convocou para hoje concentrações em mais de 120 cidades do mundo em apoio aos presos políticos e perseguidos pelo regime venezuelano, sendo que em Portugal a Lusa verificou fraca adesão em dois dos locais indicados para as concentrações, nomeadamente, nas cidades de Lisboa e do Funchal, na Região Autónoma da Madeira.
Na Madeira, cerca de uma dezena de pessoas concentrou-se junto à Rotunda do Infante, no centro do Funchal.
Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do Comando Com Venezuela em Portugal, Ana Cristina Monteiro, que reside na Madeira, salientou que esta iniciativa pretende chamar a atenção para os 500 presos políticos que esperam ser libertados, dos quais "pelo menos três são lusodescendentes".
"Não pode haver transição para uma democracia sem a libertação desses presos políticos. Não existe liberdade, nem democracia, com presos políticos", afirmou.
A responsável disse ainda que já esperava que este protesto não tivesse uma forte adesão, uma vez que hoje comemora-se o Dia da Mãe e muitas pessoas foram assistir ao cortejo alegórico da Festa da Flor.
"No entanto, nós estamos aqui a apoiar o resto dos nossos venezuelanos no mundo nesta iniciativa e estaremos noutras oportunidades também, porque não vamos desistir até libertarmos o último venezuelano ou estrangeiro que esteja preso politicamente na Venezuela", sublinhou.
Por sua vez, em Lisboa o ponto escolhido foi a zona do Parque das Nações, onde se concentraram uma dúzia de pessoas.
Uma das participantes foi a luso-venezuelana Maria Oliveira, para quem a libertação dos presos políticos deve anteceder qualquer processo eleitoral.
"Existir presos políticos quer dizer que não mudou nada. Seja uma só pessoa que está presa, já isso quer dizer que não há liberdade", argumentou.
Já Elvira Morales, residente em Portugal há 20 anos, afirmou acompanhar com "muita angústia" a situação no país sul-americano, sublinhando a necessidade de um processo eleitoral "transparente".
"Estamos a lutar para ter um processo de eleição transparente. Sabemos que tanto o registo civil como o registo eleitoral na Venezuela está um caos, pois foi intervencionado pelo Governo, legalizando pessoas que nada têm a ver com o nosso país", alertou.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, convocou para hoje uma manifestação em mais de 120 cidades de todo o mundo, incluindo em Portugal, de apoio aos presos políticos e das pessoas perseguidas no país sul-americano.
A vencedora do Prémio Nobel da Paz 2025 está fora da Venezuela desde dezembro passado, quando viajou para a Noruega para receber a distinção, depois de ter passado um ano escondida para evitar a detenção pelas autoridades, que a acusam de violência e de incitar a uma invasão militar.
A organização de Machado, o Comando com a Venezuela, estabeleceu mais de 20 pontos de encontro em várias cidades venezuelanas, segundo várias publicações na sua conta de Facebook.
Em Caracas, um desses locais será a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), conhecida como El Helicoide, onde estão ou estiveram detidos inúmeros presos políticos.
Além disso, estão previstas 12 manifestações em Espanha, em locais como Madrid, Tenerife, Valência e Barcelona.
Outros países incluídos são a Itália, Portugal, Bélgica, Holanda, França, bem como os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Chile, Panamá, Equador, Uruguai, Colômbia e Peru.
Segundo a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, existem 454 presos políticos na Venezuela, incluindo 41 estrangeiros ou pessoas com dupla nacionalidade, embora o país ainda tenha em vigor uma lei de amnistia limitada a determinados crimes e períodos específicos.
O Governo venezuelano alega frequentemente que não existem "presos políticos" no país, afirmando que estão encarcerados por terem cometido crimes, uma posição rejeitada por várias organizações não-governamentais e partidos da oposição.