Luís Montenegro recebe Corina Machado na quarta-feira
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, vai receber na quarta-feira a prémio Nobel da Paz de 2025, a venezuelana María Corina Machado.
A audiência está marcada para as 15:00 na residência oficial em São Bento (Lisboa).
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, esteve em Madrid entre sexta-feira e sábado, numa visita em que criticou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e líderes progressistas latino-americanos, ao mesmo tempo que elogiou o Presidente norte-americano, Donald Trump, e confirmou estar a coordenar com Washington o seu regresso à Venezuela.
Em conferência de imprensa em Madrid, Machado afirmou que os acontecimentos da Cimeira da Democracia, realizada em Barcelona, demonstraram que, nesta altura, um encontro com Sánchez "não era aconselhável".
A dirigente reagia a declarações de vários líderes presentes no fórum, entre os quais o Presidente colombiano, Gustavo Petro, que alertou para um "grande receio" entre os venezuelanos face a um eventual regresso da opositora, apontando riscos de "vingança política".
Também o Presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, e Sánchez defenderam, em Barcelona, a não interferência externa na política venezuelana.
Machado sublinhou que a sua presença em Espanha, coincidindo com o encontro progressista, "não foi intencional, mas antes providencial", e destacou reuniões com líderes conservadores espanhóis, como Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal, sem contactos com o Governo socialista.
A opositora adotou um tom distinto ao referir-se a Trump, considerando que o Presidente norte-americano foi o único líder mundial que "arriscou a vida dos cidadãos do seu país pela liberdade da Venezuela".
Machado agradeceu a atuação dos Estados Unidos, numa referência à operação militar que levou à captura do ex-Presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.
A líder venezuelana confirmou ainda que está a discutir com Washington o seu regresso ao país, admitindo riscos, mas garantindo que "as ameaças não a demoverão".
"O nosso dever é estar na Venezuela, a apoiar os venezuelanos", afirmou Corina Machado.
Sobre a atual Presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, Machado acusou-a de representar "o caos, a violência e o terror", contrapondo com o seu movimento, que disse pretender uma transição pacífica.