Hamas classifica avanço israelita em Gaza como violação do cessar-fogo
O movimento islamita palestiniano Hamas condenou hoje a decisão israelita de ordenar ao exército para ampliar o controlo da Faixa de Gaza, apesar do acordo de cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025.
"Numa flagrante violação de todos os acordos, como é seu hábito, [o primeiro-ministro israelita, Benjamin] Netanyahu anunciou a extensão do controlo de Israel para 70% da Faixa de Gaza, enquanto prosseguem os assassínios e a fome", acusou Bassem Naim, membro do gabinete político do Hamas, em declarações à agência de notícias francesa France-Presse (AFP).
Noutro comunicado, o Hamas criticou o "silêncio total" do "Conselho de Paz" do Presidente norte-americano, Donald Trump, e do seu Alto Representante para Gaza, Nikolai Mladenov, sobre esta questão.
"A ausência de condenação das políticas expansionistas de Israel e dos seus planos de deslocação forçada levanta sérias dúvidas quanto ao verdadeiro empenho das partes garantes em obrigar Israel a cumprir as suas obrigações" nos termos do acordo de cessar-fogo, disse o porta-voz do movimento, Hazem Qassem, citado no texto.
Na quinta-feira, Netanyahu anunciou ter ordenado ao exército israelita que assumisse o controlo de novos territórios em Gaza.
"Controlamos agora 60% do território da Faixa de Gaza", declarou, acrescentando ter ordenado ao exército que aumentasse essa percentagem para 70%.
A primeira fase da trégua, entrada em vigor em outubro de 2025, permitiu a libertação dos últimos reféns capturados durante o ataque do Hamas a Israel, a 07 de outubro de 2023, que desencadeou, horas depois, uma guerra de retaliação na Faixa de Gaza, em troca de palestinianos detidos por Israel nas prisões.
A passagem à segunda fase, que devia incluir o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual do exército israelita do território palestiniano, está há vários meses paralisada.
Nos termos do frágil cessar-fogo vigente, as forças israelitas deviam recuar para a "linha amarela", nome dado a uma linha de demarcação entre a zona sob o controlo do Hamas e a controlada pelo Exército de Israel, o que daria a este último o controlo de um pouco mais que 50% do exíguo território do enclave palestiniano.
A Faixa de Gaza continua a ser palco de atos de violência diários, com o exército israelita e o Hamas a acusarem-se mutuamente de violar o cessar-fogo.