Comandante militar dos EUA supervisiona simulacro na Venezuela
O comandante militar do Comando Sul dos Estados Unidos, Francis L. Donovan, visitou hoje a Venezuela para supervisionar um simulacro de evacuação na embaixada norte-americana em Caracas e reunir-se com autoridades do Governo venezuelano.
"O comandante do Comando Sul, o general Francis L. Donovan, esteve hoje em Caracas, na Venezuela, na sua segunda visita oficial ao país", afirmou a embaixada dos EUA no X, citando uma mensagem do Comando Sul na mesma rede social.
Donovan chegou com um contingente de militares norte-americanos a bordo de duas aeronaves MV-22B Osprey da Marinha que faziam parte do exercício, e manteve conversações com "altos representantes do Governo interino", informou o comando.
Reuniu-se também com o encarregado de negócios do seu país na Venezuela, John Barrett, bem como com o pessoal da embaixada, e "observou a força conjunta a realizar um exercício de resposta militar".
"Continuamos empenhados em garantir a implementação do plano de três fases da Casa Branca, particularmente a estabilização da Venezuela, e na importância da segurança partilhada em todo o hemisfério ocidental", referiu na mensagem, na qual também destacou o compromisso com uma "Venezuela livre, segura e próspera".
O general visitou o país pela primeira vez no passado dia 18 de fevereiro e também se reuniu com autoridades do Governo interino de Delcy Rodríguez para avaliar "a questão da segurança" e "o plano de três fases" do Presidente Donald Trump para a transição na Venezuela.
Este simulacro aconteceu cinco meses após a captura do Presidente Nicolás Maduro num um ataque de tropas militares norte-americanas a Caracas.
O ataque de 03 de janeiro incluiu sobrevoos de aviões e helicópteros americanos, com bombardeamentos de vários pontos da capital e das cidades vizinhas.
A operação semeou o pânico em Caracas e arredores e causou cerca de uma centena de mortos, incluindo civis.
O simulacro, que foi hoje realizado "para eventuais situações médicas" ou catástrofes, começou pouco depois das 10:00 horas locais (15:00 em Lisboa) e prolongou-se até pouco depois do meio-dia (17:00 em Lisboa).
Segundo a embaixada dos Estados Unidos, tratou-se de um "exercício militar".
"Garantir a capacidade de resposta rápida do exército é um elemento-chave da preparação da missão, tanto aqui na Venezuela como em todo o mundo", escreve a embaixada nas redes sociais.
A Venezuela anunciou na quinta-feira a autorização para a realização do exercício, o que desencadeou críticas por parte de alguns ativistas pró-governo, que continuam hostis aos Estados Unidos.
Alguns ativistas manifestaram-se hoje na zona oeste de Caracas, com o slogan "Não ao exercício ianque" escrito numa bandeira da Venezuela.
Caracas e Washington restabeleceram as suas relações diplomáticas em março, após mais de sete anos de rutura durante a presidência de Maduro.
A Presidente interina Delcy Rodríguez, que sucedeu a Maduro, de quem era vice-presidente, governa sob forte pressão de Washington.
Em particular, aprovou leis sobre hidrocarbonetos e sobre o código mineiro, abrindo esses setores ao capital estrangeiro.
O falecido Presidente Hugo Chávez (1999-2013, de inspiração socialista e muito crítico do "império americano", tinha posto fim à cooperação e aos intercâmbios militares com os Estados Unidos, reorientando as suas alianças para a Rússia, Cuba e o Irão.