Treze detidos na Turquia após destituição do líder do maior partido da oposição
Treze membros do maior partido da oposição turca foram detidos hoje em várias províncias, no âmbito de uma investigação que levou à destituição da direção do Partido Republicano do Povo na quinta-feira, anunciou a Procuradoria-Geral de Istambul.
Os detidos, entre os quais um dirigente provincial do partido e seis delegados, são acusados de interferência na votação que elegeu a direção do Partido Republicano do Povo (CHP na sigla original, de matriz social-democrata), durante um congresso realizado no final de 2023.
As suspeitas, nomeadamente de compra de votos, levaram na quinta-feira um tribunal de Ancara a invalidar a decisão e a ordenar a substituição do atual dirigente do partido, Özgür Özel, pelo anterior líder, Kemal Kiliçdaroglu, o político que concorreu às eleições presidenciais de 2023 entretanto caído em desgraça no seio do partido.
Özel, um crítico feroz do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apelou na sexta-feira aos seus apoiantes para "resistirem", afirmando que "não se renderá".
Depois de ter surgido como o claro vencedor das eleições locais de 2024, o CHP tem sido alvo de investigações e detenções dos seus membros.
No ano passado, o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, a sua figura mais popular, foi detido por corrupção no mesmo dia em que foi nomeado candidato às próximas eleições presidenciais, marcadas para 2028.
Acusado de liderar uma vasta rede criminosa descrita como sendo um "polvo", Imamoglu enfrenta 142 acusações e pode ser condenado até 2.430 anos de prisão.
A associação Human Rights Watch denunciou "as manobras abusivas do governo de Erdogan para neutralizar o CHP" e considerou que a decisão da Procuradoria-Geral de Istambul "representa um golpe final e profundamente prejudicial para o Estado de direito, a democracia e os direitos humanos na Turquia".