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Farioli deixou para trás o trauma Ajax e mudou o FC Porto

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O trauma vivido há um ano no Ajax, com a perda do título nas jornadas finais, foi ultrapassado por Francesco Farioli, o jovem treinador italiano que trouxe de volta os títulos ao FC Porto.

Após as apostas falhadas em Vítor Bruno e Martín Anselmi, Farioli, agora com 37 anos, foi mais uma jogada de risco do presidente dos 'dragões', mas, desta feita, com êxito, apesar da 'sombra' que pairava sobre o italiano, depois de ter deixado fugir o título neerlandês nas últimas rondas, desperdiçando uma grande vantagem.

Bom comunicador, mesmo em inglês -- raramente se arriscou no português, mesmo percebendo as perguntas --, desde a chegada ao Dragão, Farioli quis trazer de volta a raça que caracterizava os 'azuis e brancos', repetindo algumas vezes a frase 'Porto is back' (O Porto está de volta).

O transalpino mostrou também ser de ideias fixas e um pouco teimoso, o que lhe foi valendo algumas críticas de alguns adeptos nos poucos jogos que correram mal ao FC Porto, que, contudo, foram 'abafadas' pelos bons resultados que levaram a equipa ao título, às meias-finais da Taça de Portugal e aos quartos de final da Liga Europa, provas em que a gestão muito racional dos recursos que tinha pode ter impedido de chegar mais longe.

O FC Porto é o terceiro grande desafio da carreira de Farioli, depois de ter levado o Nice ao quinto lugar na Liga francesa e o Ajax ao segundo lugar nos Países Baixos, voltando a mostrar a capacidade de melhorar e muito as equipas logo no primeiro ano.

As dúvidas sobre o jovem transalpino eram naturais no início da temporada, após o falhanço no Ajax e por ter um perfil muito semelhante ao do antecessor Martín Anselmi, que esteve pouco mais de meio ano à frente dos 'dragões', apresentando-se ambos como treinadores sem passado como futebolistas e com enorme admiração por Marcelo Bielsa.

Três anos mais novo do que Anselmi, Farioli também não tem um grande passado como futebolista e tem formação universitária, depois de se ter licenciado em filosofia e ciência desportiva na Universidade de Florença.

Nascido em Barga, na Toscana, e apaixonado por futebol, Farioli começou a carreira de treinador com 20 anos, como treinador de guarda-redes no Margine Coperta, cargo que depois ocupou na Fortis Juventus e no Lucchese, sempre nas categorias inferiores do futebol italiano.

A primeira aventura no estrangeiro aconteceu em 2015/16, como treinador de guarda-redes da seleção de sub-17 do Qatar e da Academia Aspire Qatar. Terá sido aí que se cruzou com Roberto de Zerbi, que o levou para o Benevento em 2017/18.

Farioli acompanhou o compatriota durante três temporadas, uma no Benevento e duas no Sassuolo, antes de sair do seu país natal e pela primeira vez sem ser como treinador de guarda-redes.

O Alanyaspor, da Liga turca, foi o destino de Farioli em 2020/21, então como adjunto do turco Cagdas Atan, mas a ambição de outros voos fez com que aceitasse o convite para se estrear como técnico principal no Karagumruk, nas últimas jornadas dessa mesma temporada.

O início da carreira de treinador foi difícil, com apenas uma vitória em sete encontros, mas acabou a época com nota positiva, graças a três triunfos nas três derradeiras jornadas.

O arranque da primeira temporada completa como treinador principal foi ainda no Karagumruk, antes de regressar ao Alanyaspor no decorrer da temporada, mas já para assumir as rédeas da equipa, terminando o campeonato no quinto posto e chegando às meias-finais da Taça.

A segunda temporada no Alanyaspor, a primeira completa, foi mais complicada para Farioli, que acabou despedido ao fim de 25 encontros, nos quais venceu apenas oito, mas o momento menos positivo não assustou o Nice, que, depois de ter ficado longe da qualificação europeia na época anterior, decidiu apostar no italiano para 2023/24.

Com 17 triunfos em 28 encontros, com um arranque de sonho, em que apenas perdeu à 14.ª jornada, e com um triunfo em casa do Paris Saint-Germain nesse percurso, o Nice assegurou o regresso às competições europeias, com o quinto lugar, além de ter alcançado os quartos de final da Taça.

Após uma das piores temporadas dos anos mais recentes, em que terminou o campeonato na quinta posição, a 35 pontos do campeão PSV Eindhoven, o Ajax chamou por Farioli, que melhorou e muito a equipa, mas acabou por perder, de forma dolorosa, o título.

No primeiro ano em que realmente teve a possibilidade de lutar por troféus, Farioli conseguiu que o Ajax somasse mais 22 pontos do que ano anterior no campeonato, sofresse 32 golos (menos 31 do que em 2023/24) e somasse mais nove vitórias, triunfando em todos os clássicos com PSV e Feyenoord.

Contudo, o final de temporada foi penoso e, com apenas uma vitória nas últimas cinco jornadas, permitiu que o PSV recuperasse de nove pontos de desvantagem e acabasse por celebrar o bicampeonato, com um ponto à maior sobre o clube de Amesterdão.

Menos positivas foram as prestações na Taça dos Países Baixos e na Liga Europa, provas nas quais caiu nos oitavos de final, sendo que a eliminação na competição europeia surgiu com uma goleada frente ao Eintracht Frankfurt, por 4-1, depois de já ter perdido a primeira mão, em casa, por 2-1.

Nova temporada, novo desafio para Farioli, que soube pegar num FC Porto ainda em remodelação, no segundo ano de André Villas-Boas como presidente, após 42 anos da liderança de Pinto da Costa, e fazê-lo regressar aos títulos nacionais, que fugiam desde 2021/22.

Depois de dar o 31.º campeonato português ao FC Porto e conquistar o seu primeiro troféu, Farioli vai ter, se não houver uma saída surpresa, um novo desafio que ainda não enfrentou na sua carreira, começar uma segunda época completa no mesmo clube.