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Médico norte-americano entre os mais recentes casos do raro surto na RDCongo

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Foto ilustrativa ShutterStock (2014)

Um cidadão norte-americano contraiu o vírus ébola "no âmbito do seu trabalho na República Democrática do Congo [RDCongo]", anunciou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a principal agência sanitária norte-americana.

O indivíduo "desenvolveu sintomas durante o fim de semana e testou positivo no final de domingo", estando atualmente a ser preparada a sua transferência para a Alemanha, onde será tratado, declarou Satish Pillai, responsável pela gestão do ébola no CDC.

À agência noticiosa Associated Press (AP), o médico Jean-Jacques Muyembe, diretor médico do Instituto Nacional Congolês de Investigação Biomédica, confirmou que o seu colega norte-americano está entre os casos registados em Bunia, capital da província de Ituri.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no domingo o surto uma emergência de saúde pública de alcance internacional. Até hoje tinham sido registados mais de 300 casos suspeitos e 118 mortes nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, na RDCongo, além de duas mortes no vizinho Uganda.

Especialistas em saúde e funcionários humanitários afirmam que a estirpe Bundibugyo circulou sem ser detetada durante pelo menos algumas semanas.

Horas antes da confirmação deste caso, os Estados Unidos anunciaram o reforço das medidas de precaução para evitar a propagação de ébola, através da implementação de controlos sanitários para passageiros aéreos provenientes das zonas afetadas e da suspensão temporária dos vistos.

"Neste momento, o CDC considera baixo o risco imediato para a população norte-americana, mas continuaremos a avaliar a situação e poderemos ajustar as medidas de saúde pública em função das novas informações disponíveis", declarou a agência sanitária em comunicado.

Durante o fim de semana, o CDC tinha indicado estar a coordenar "o repatriamento seguro de um pequeno número de norte-americanos diretamente afetados por este surto".

Além dos controlos realizados nos aeroportos, o CDC anunciou a imposição de restrições de entrada a cidadãos estrangeiros que tenham viajado para o Uganda, RDCongo ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias.

A OMS declarou no domingo o surto de ébola uma emergência de saúde pública de alcance internacional, o que levou vários países africanos a reforçarem os controlos sanitários e a fecharem as suas fronteiras, como é o caso do Ruanda.

A cadeia norte-americana CBS News noticiou, no domingo, que pelo menos seis cidadãos norte-americanos terão sido expostos ao vírus ébola no Congo, citando fontes anónimas de organizações internacionais de ajuda humanitária.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos afirmaram no domingo que o risco para os norte-americanos é baixo, mas não responderam diretamente às questões sobre uma eventual exposição de cidadãos norte-americanos ao vírus em África.

Entretanto, a República Democrática do Congo anunciou que vai abrir três centros de tratamento para o vírus ébola na província oriental de Ituri, na sequência de um surto de uma variante para a qual não existem terapêuticas nem vacinas aprovadas, enquanto a Organização Mundial da Saúde enviou especialistas e material para ajudar a combater a propagação da doença.

"Sabemos que os hospitais já estão sob pressão devido ao número de doentes", afirmou o ministro congolês da Saúde, Samuel Roger Kamba, durante uma visita a Bunia, capital e maior cidade de Ituri, no domingo.

"Mas estamos a preparar a criação de centros de tratamento nos três locais para podermos reforçar a nossa capacidade de resposta", garantiu.

O vírus ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Segundo a OMS, o vírus apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 90%.