DNOTICIAS.PT
País

Mais de cem enfermeiros protestam em Lisboa em dia de greve

Enfermeiros protestam em Lisboa por aumentos salariais.
Enfermeiros protestam em Lisboa por aumentos salariais., Foto ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Mais de 100 enfermeiros de todo o país exigem hoje em Lisboa o aumento de salários e protestam contra o banco de horas, num dia de greve nacional convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). 

"É urgente e necessário o aumento de salário", "Governo escuta enfermeiros estão em luta" e "35 horas para todos sem demoras, eram alguns dos gritos que se ouviam durante a manifestação. 

Ao som de tambores, os enfermeiros começaram a concentrar-se no Campo Pequeno, em Lisboa, pelas 10:30 e às 11:50 já tinham chegado ao Ministério da Saúde, de quem esperam uma reunião sobre a contagem de pontos para a progressão na carreira, depois da greve de hoje. 

"Esperamos que o Ministério da Saúde, depois desta greve, desta manifestação do Dia Internacional do Enfermeiro, nos convoque para uma reunião, designadamente sobre a questão da contagem de pontos por avaliação de desempenho", disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, durante a concentração. 

Presente no protesto, a enfermeira Isabel Barbosa, do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, justificou a presença na manifestação com a necessidade de lutar pela valorização da profissão. 

"Nós já temos horários muito penosos. Precisamos que valorizem a profissão de enfermagem", disse à Lusa. 

Na manifestação, que cortou a rua em frente ao Ministério da saúde, estava também o enfermeiro Ricardo Silva, do Hospital Santa Maria (Lisboa), que defendeu a qualidade no trabalho nos serviços de saúde e no Serviço Nacional de Saúde. 

"Nós temos serviços onde a dotação de enfermeiros está muito abaixo daquilo que são as recomendações da Ordem dos Enfermeiros e de outras entidades", disse à Lusa Ricardo Silva. 

Segundo o presidente do SEP, a adesão à greve de enfermeiros dos setores público, privado e social, será elevada, sobretudo nos centros de saúde e nas consultas externas. 

"É expectável uma elevada adesão à greve, desde logo nos Centros de Saúde e nas consultas externas, onde os enfermeiros não têm o dever legal de comparecer, nos blocos operatórios, onde haverá vários encerrados e, portanto, necessidade da reprogramação das próprias cirurgias", disse o responsável, garantindo que os serviços mínimos estão assegurados. 

De acordo com a estrutura sindical, trata-se de uma "greve nacional de toda a enfermagem portuguesa", permitindo que todos os enfermeiros estejam cobertos pelo pré-aviso, independentemente do setor em que exercem a sua atividade. 

Coincidindo com o Dia Internacional do Enfermeiro, a greve pretende reivindicar, entre outras medidas, a contratação de mais profissionais, o fim dos contratos precários e o pagamento dos retroativos entre 2018 e 2021 referentes à progressão na carreira. 

O SEP exige ainda um horário de 35 horas semanais para todos os enfermeiros, assim como a rejeição do pacote laboral que o Governo pretende implementar e da proposta que está em negociação de um novo Acordo Coletivo de Trabalho, alegando que "visa retirar rendimento aos enfermeiros", agravando os "problemas já hoje existentes". 

O sindicato decidiu avançar para a greve como forma de reclamar uma avaliação do desempenho "justa, sem quotas e objetiva", que avalie cada enfermeiro com base na prestação de cuidados e de acordo com as suas competências e funções. 

Na concentração com mais se uma centena de manifestantes, onde se via uma mancha amarela, por causa das t-shirts alusivas ao dia do enfermeiro que muitos manifestantes usavam estiveram o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE). 

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu o fim da precariedade na carreira dos enfermeiros. 

"Quanto mais respeito e dignidade e condições de trabalho tiverem os enfermeiros, mais enfermeiros entram no Serviço Nacional de Saúde ", disse aos jornalistas Paulo Raimundo, durante a concentração que terminou perto das 13:00. 

Também junto dos jornalistas, o líder do BE, José Manuel Pureza, responsabilizou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, "pela grande desilusão que está criada com todas as carreiras do Serviço Nacional de Saúde".