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Navio, afectado com hantavírus, atraca nas Canárias para últimos desembarques

FOTO DR
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O navio afectado com um surto de hantavírus atracou hoje de forma imprevista no porto de Granadilla, em Tenerife, para o desembarque do último grupo de 28 passageiros e tripulantes que vai ser repatriado a partir das Canárias.

"Por razões meteorológicas e seguindo a recomendação da Capitania Marítima, o 'MV Hondius' está temporariamente amarrado no porto de Granadilla", explicou a ministra da Saúde de Espanha, Mónica Garcia, numa publicação na rede social X.

Por causa do "forte vento e a ondulação" é "mais seguro realizar assim o desembarque", assim como "o trabalho das equipas" que estão a retirar as pessoas do navio, acrescentou.

A ministra sublinhou que "depois de dias muito complexos", esta é já "a última fase da operação" com o navio de cruzeiro "MV Hondius".

Num comunicado, o Ministério da Saúde acrescentou que esta é a forma de "agilizar a partida do cruzeiro para os Países Baixos", o país da bandeira do navio e de onde é o armador.

Espanha tinha definido que o barco não tocaria na costa das Canárias durante esta operação, iniciada no domingo de manhã e que já levou ao desembarque e repatriamento de 94 pessoas de 19 nacionalidades.

Sobretudo, o governo regional das Canárias insistiu nesta questão, que considerou ser essencial ao nível da segurança sanitária, invocando a possibilidade de, por exemplo, haver ratos no barco que poderiam saltar para terra se o navio acostasse.

O "MV Hondius" ficou por isso ancorado no porto de Granadilla desde que chegou ao arquipélago espanhol, no domingo de manhã, e os desembarques anteriores foram feitos com lanchas.

Todos os desembarques até agora foram feitos durante o dia de domingo, mas as condições do mar pioraram hoje.

Após várias tentativas para retirar passageiros hoje com lanchas, o navio acabou por atracar.

O presidente do governo regional das Canárias, Fernando Clavijo, disse, numa mensagem na rede social X, ter sido informado pela ministra Mónica García da atracagem do "MV Hondius".

"A prioridade é que a operação se desenvolva com todas as garantias, o menor tempo possível e que o cruzeiro possa partir quanto antes para os Países Baixos", acrescentou Fernando Clavijo, que se opôs à realização desta operação nas Canárias, mas disse ser uma competência do Governo central que as autoridades regionais tiveram de acatar.

Após a retirada destes 28 passageiros, de várias nacionalidades, que vão ser todos transportados para os Países Baixos, em dois voos, a partir do aeroporto de Tenerife Sul, o navio vai seguir viagem, com uma parte da tripulação a bordo (cerca de 30 pessoas).

O destino final é Roterdão, nos Países Baixos, onde será desinfetado.

O "MV Hondius" foi já reabastecido hoje durante a manhã com combustível e alimentos para poder partir ao final da tarde, disse o Governo espanhol.

 Quando o barco sair, será desinfetado o porto de Granadilla.

A operação nas Canárias envolveu mais de 20 países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia.

Foram confirmados até agora oito casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro "MV Hondius", que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.   

O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.

Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.

A OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.