Arranca desembarque de ocupantes de cruzeiro nas Canárias
A operação nas ilhas Canárias para desembarcar e repatriar mais de 100 pessoas que estão no navio onde houve um surto de hantavírus arrancou hoje, por volta das 09:30 (hora local e em Lisboa).
O primeiro grupo de pessoas, todas com máscaras e fatos completos de proteção sanitária, foi retirado do navio numa lancha que se aproximou do cruzeiro "MV Hondius" e transferido para o cais do porto industrial de Granadilla, na ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias.
O navio, que esteve de quarentena em Cabo Verde, chegou hoje de madrugada às Canárias e está ancorado no porto de Granadilla, havendo 147 pessoas a bordo, entre passageiros, tripulantes e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), segundo a empresa Oceandrive, a dona do cruzeiro.
Depois da ancoragem do navio dentro do porto, subiu a bordo, por volta das 7:45 locais, uma equipa médica do serviço Saúde Exterior do Governo espanhol, um organismo que tem como missão "orgnanizar e garantir a prestação de atenção sanitária" a pessoas em trânsito internacional por Espanha.
Após a avaliação dessa equipa médica, saíu do barco o primeiro grupo de ocupantes do "MV Hondius".
O que está previsto é que desembarquem no arquipélago espanhol das Canárias, em Tenerife, mais de 100 pessoas, que serão repatriadas a partir de um aeroporto desta ilha, em aviões de vários países e da União Europeia (UE).
A ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, explicou hoje que o primeiro grupo a sair do barco e a ser transportado a partir do aeroporto é o de cidadãos espanhóis (14 pessoas), que serão levadas para um hospital militar em Madrid.
O último voo de repatriamento está previsto para segunda-feira à tarde, com destino à Austrália, em que viajarão seis pessoas, de várias nacionalidades, disse a ministra.
Deverão manter-se no barco pelo menos 30 membros da tripulação, que seguirão viagem, previsivelmente na segunda-feira, para levar o paquete até aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do "MV Hondius" e de onde é o armador.
O desembarque e repatriamento das pessoas a bordo faz-se em zonas isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.
Está também isolado o percurso de cerca de 10 quilómetros entre o porto e o aeroporto.
O transporte neste percurso é feito em veículos militares.
O definido é que tripulantes e passageiros só saem do barco quando o avião que os vai repatriar está já preparado para descolar e são levados diretamente à pista do aeroporto.
A operação está a ser coordenada por Espanha, pelos Países Baixos, pela OMS e pelo ECDC.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estão já a bordo.
Segundo a OMS e o Governo espanhol, nenhuma das pessoas atualmente a bordo estão com sintomas de doença.
O barco viajava desde a Argentina até Cabo Verde, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
A OMS considera que o risco atual para a saúde pública causado pelo hantavírus é baixo.