Avião ambulância que parou nas Canárias tem avaria em equipamento médico
O avião que saiu hoje de Cabo Verde com duas pessoas com sintomas de infeção com hantavírus e aterrou nas Canárias para abastecer tem também um problema no equipamento "de suporte" de um doente, disse o Governo espanhol.
Quando já estava na pista do aeroporto da ilha da Gran Canaria, o médico do avião ambulância "reportou uma falha no sistema elétrico do suporte" de um paciente, disse o Ministério da Saúde de Espanha, numa informação enviada aos jornalistas.
"Por isso, o paciente permanece dentro do avião com suporte elétrico do aeroporto à espera de que chegue um novo avião para continuar o trajeto", disse o ministério, que realçou que o doente em causa "não representa um risco para a saúde pública", com as pessoas envolvidas a permanecerem na pista até haver uma solução para esta situação.
O Ministério da Saúde espanhol confirmou que o avião, que tem como destino os Países Baixos, aterrou nas Canárias, numa escala não prevista, para abastecer, depois de Marrocos ter recusado um pedido da aeronave com esse objetivo.
Segundo a Delegação do Governo de Espanha nas Canárias e o executivo regional, foi permitida esta escala técnica com a condição de que ninguém saia ou entre no avião, que transporta dois ocupantes do navio cruzeiro "MV Hondius", onde foram detetados casos de infeção com hantavírus e que esteve de quarentena em Cabo Verde.
Dois aviões ambulância descolaram do aeroporto internacional Nelson Mandela, na Praia, capital de Cabo Verde, cerca das 11:00 (13:00 em Lisboa) com três ocupantes do navio.
Dois tripulantes com sintomas e uma pessoa assintomática, mas que partilhou a cabina com a última das três vítimas mortais a bordo, por síndrome respiratória aguda, estão a caminho dos Países Baixos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Entretanto, o navio deixou hoje Cabo Verde, com destino às Canárias, em busca de um desfecho para o cruzeiro que partiu da Argentina e atravessou o Atlântico Sul durante abril com 147 pessoas.
O barco fundeou no domingo na capital cabo-verdiana e deverá chegar a um porto da ilha de Tenerife, nas Canárias, no sábado, disse o Governo de Espanha.
Nas Canárias, serão retiradas do barco todas as pessoas que estão a bordo e repatriadas, ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, que Espanha já ativou.
Segundo a OMS, as Canárias são o porto mais próximo com todas as capacidades técnicas e de segurança de saúde pública necessárias para esta operação, disse hoje o ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
A ministra da Saúde espanhola, Monica García, acrescentou que todo o processo será coordenado ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, envolvendo a OMS e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), e com "todas as garantias de segurança necessárias", tanto a nível da atenção médica que possa ser precisa como das transferências e transporte de pessoas, que ocorrerão sem contacto com a população local das Canárias.
Os dois ministros explicaram que, neste momento, todas as pessoas a bordo do cruzeiro estão sem sintomas de infeção com hantavírus e que à chegada às Canárias serão de novo examinadas. Se não exigirem nesse momento atenção médica, serão repatriadas.
Quanto aos 14 espanhóis a bordo do navio, serão examinados e transferidos num avião militar para um hospital militar em Madrid, onde deverão ficar de quarentena por um período que pode chegar a 45 dias, o tempo de incubação do hantavírus.
Segundo o último ponto de situação feito pela OMS, há até agora cinco casos suspeitos de infeção com hantavírus e dois confirmados em laboratório entre os ocupantes do navio cruzeiro.
Três pessoas que viajavam no "MV Hondius" morreram.
A estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou hoje o ministro da Saúde sul-africano.