Eduardo Jesus reitera que o fim do tecto máximo no SSM seria prejudicial para a Madeira
Além da perda de lugares para a Região, o governante alerta para o aumento dos preços das viagens
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, reiterou esta quarta-feira, 8 de Abril, que o fim do tecto máximo no Subsídio Social de Mobilidade seria prejudicial para a Madeira.
O governante atenta que, além da perda de lugares para a Região, está em causa o aumento dos preços das viagens.
Em causa está a aprovação na comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, pelo Partido Socialista e pelo Chega, de uma alteração ao Subsídio Social de Mobilidade, que introduz o fim do limite de custo elegível das passagens, que actualmente é de 400 euros na ilha da Madeira e de 500 euros no Porto Santo.
Este processo passou, de forma repentina, para mãos de pessoas que não estão preparadas para lidar com a sua complexidade, que não têm o conhecimento nem a visão necessária para compreender a importância da acessibilidade para uma região insular como a nossa. São pessoas cuja perspectiva se limita, muitas vezes, à companhia aérea que utilizam para viajar ao fim-de-semana, o que revela uma visão redutora e insuficiente da realidade. Eduardo Jesus
A medida, aponta o tutelar da pasta do Turismo, levaria a uma perda significativa dos lugares disponibilizados pelas transportadoras aéreas para viagens entre o continente português, a Madeira e o Porto Santo: "Importa também sublinhar um aspecto particularmente preocupante: o mercado nacional é hoje o principal mercado emissor de turistas para a Madeira. No ano passado, mais de 604 mil pessoas viajaram do continente para a Região. O contributo deste mercado para o turismo — o principal motor da nossa economia — é decisivo."
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Além da falta de previsibilidade, Eduardo Jesus alerta ainda para a "subida descontrolada" do preço das passagens aéreas: "Sem tecto, os preços disparam e sem tecto as companhias não conseguem programar as suas operações."
Estas alterações poderão conduzir a uma escalada de preços. Embora os madeirenses e restantes portugueses pudessem não sentir diretamente esse aumento — pagando apenas o valor líquido — a Região perderia competitividade junto dos mercados externos. O impacto no turismo seria significativo e poderia comprometer a atual trajetória económica da Madeira. Eduardo Jesus
O governante dá o exemplo da Região Autónoma dos Açores, onde, "durante muito tempo, o subsídio de mobilidade foi aplicado sem tecto máximo, e os preços praticados nas ligações com o continente eram extremamente elevados, chegando, em alguns casos, perto dos dois mil euros por passagem".
A situação dos Açores, afirma, "demonstra que, sem um limite, os preços tendem a disparar e as companhias deixam de conseguir programar eficazmente as suas operações".
"problemas de acessibilidade têm gerado impactos económicos muito negativos".