Médico madeirense investigado por divulgar imagens de feto morto
Rafael Macedo, que exercia funções como delegado de saúde em Santa Maria, alega que a publicação nas redes sociais visou expor o mau funcionamento de uma empresa de resíduos
O médico madeirense Rafael Macedo, que recentemente cessou funções como delegado de saúde do concelho de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores, encontra-se no centro de uma polémica após ter divulgado, na sua página de Facebook, imagens de um feto encontrado numa lixeira local, notícia avançada pelo Correio da Manhã.
Ouvido pelo DIÁRIO, o médico justifica a sua decisão como um acto de denúncia contra o que considera ser uma gestão negligente de resíduos e arcas frigoríficas, bem como a "inércia" dos órgãos de comunicação social açorianos.
O caso remonta à descoberta de um fecto que, segundo os resultados provisórios da autópsia, terá nascido morto num alegado aborto espontâneo, tendo sido colocado no lixo alegadamente pela progenitora.
Rafael Macedo, que actualmente exerce funções como médico de urgência contratado pela Unidade de Saúde da Ilha de Santa Maria, explica que foi chamado para auxiliar o actual delegado de saúde, que terá limitações logísticas devido à idade e, segundo o madeirense, “tem alguma dificuldade em mexer em computadores e fazer outro tipo de operações, como o registo de imagens para a PJ e na emissão do certificado de óbito.”
De acordo com o médico, a publicação das imagens, ocorrida oito dias após o incidente, não teve como intuito a autopromoção, mas sim o alerta para o funcionamento das arcas frigoríficas da empresa responsável pelos resíduos na ilha.
O objectivo é chamar a atenção porque a [empresa] está crítica, é uma situação crítica a nível de funcionamento" Rafael Macedo
O médico madeirense alega que o acesso às áreas onde o corpo foi depositado é facilitado. "Qualquer pessoa pode entrar e ir lá colocar esse feto", apontou.
O clínico refere que já vinha a acompanhar irregularidades na referida unidade, incluindo queixas de trabalhadores exaustos e falta de condições de segurança.
Apesar de estar ciente de que a sua conduta está a ser averiguada pelas autoridades e pela inspecção regional podendo estar em causa o crime de profanação de cadáver, como menciona a notícia publicada pelo Correio da Manhã, Rafael Macedo mostra-se impávido.
Ainda em declarações ao DIÁRIO, o médico deixou um aviso sério quanto à sua permanência na região. Disse mesmo que exigiu a retirada de notícias que considera "caluniosas" e que, segundo Rafael Macedo, terão sido publicadas sob ao abrigo do Governo Regional dos Açores.
"Se até meia-noite de hoje não apagarem as notícias que são caluniosas à minha pessoa, eu deixo de exercer funções nos Açores", reiterou.
Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e especialista em Medicina Nuclear, Charl Rafael Macedo Silva tinha sido nomeado delegado de saúde do concelho de Vila do Porto em Dezembro de 2025. A 24 de Fevereiro último, solicitou a cessação dessas funções, tal como noticiado pelo DIÁRIO na edição impressa do passado domingo, mantendo-se desde então apenas ligado à urgência hospitalar.
Em Julho do ano passado, o Ministério Público arquivou o inquérito que visava Rafael Macedo da Silva, especialista em Medicina Nuclear, que em 2019 ganhou notoriedade após denúncias de alegadas irregularidades no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM). O caso originou, na altura, uma comissão parlamentar de inquérito na Assembleia Legislativa da Madeira, a abertura de três processos disciplinares no Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos, bem como um processo disciplinar interno no SESARAM que culminou na sua suspensão e posterior despedimento por justa causa, alegadamente devido à gravidade das acusações e à divulgação de informação confidencial sem provas substanciais.
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