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Guerra no Irão Mundo

"Não há objectivo militar que justifique sofrimento deliberado de civis"

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Foto EPA

O secretário-geral da ONU assumiu hoje "profunda preocupação" com as declarações do Presidente norte-americano sobre o Irão, incluindo ameaças de erradicar "toda uma civilização", e frisou "não existir um objetivo militar que justifique" a imposição de sofrimento civil.

Em resposta a perguntas dos jornalistas sobre as recentes declarações de Donald Trump contra o Irão, o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric, declarou que o secretário-geral "está profundamente preocupado com declarações que sugerem que populações civis inteiras ou civilizações possam ser obrigadas a suportar as consequências de decisões políticas e militares".

"Não existe um objetivo militar que justifique a destruição em larga escala das infraestruturas de uma sociedade ou a imposição deliberada de sofrimento às populações civis", sublinhou Dujarric em comunicado.

O líder das Nações Unidas reiterou que os conflitos terminam quando os líderes optam pelo diálogo em vez da destruição.

"Essa escolha ainda existe. E precisa de ser feita agora", frisou Guterres, apelando à intensificação dos esforços diplomáticos na procura de um caminho pacífico.

O enviado pessoal de Guterres para este conflito, Jean Arnault, está a viajar para a região para apoiar os esforços diplomáticos, explicou.

Simultaneamente, o secretário-geral apelou a que seja restabelecida a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, uma vez que o bloqueio desta crucial via está a afetar os mais pobres e vulneráveis do mundo.

Minutos antes, a Rússia e a China vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que exigia a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, e encorajava os Estados a coordenarem esforços para assegurar a segurança nesta rota.

Já horas antes, o Presidente norte-americano ameaçou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" se o regime iraniano não reabrir o Estreito de Ormuz.

"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar", disse numa mensagem publicada nas redes sociais, referindo que as próximas horas vão testemunhar "um dos momentos mais importantes" da História mundial.

"Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", afirmou Trump.

O Presidente norte-americano fez ao Irão um ultimato para que o regime islâmico volte a deixar passar todos os petroleiros no Estreito de Ormuz até às 20:00 de hoje em Washington (01:00 de quarta-feira em Lisboa).

Os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão.

Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.