Hezbollah ameaça romper linha israelita no sul do Líbano
O grupo xiita Hezbollah ameaçou hoje romper a linha de separação que Israel alega ter estabelecido no sul do Líbano, afirmou um dos seus deputados, que defendeu que o Presidente libanês deve abandonar as negociações de paz.
"Romperemos esta 'linha amarela' através da resistência (...) ao exercermos o nosso legítimo direito de nos defendermos e defendermos o nosso país", disse Hassan Fadlallah à agência France-Presse (AFP).
Nas suas declarações, o parlamentar do grupo apoiado pelo Irão avisou que "ninguém, no Líbano ou no estrangeiro", será capaz de desarmar o Hezbollah.
Hassan Fadlallah defendeu também que o Presidente libanês, Joseph Aoun, deverá abandonar as negociações diretas com Israel, aceites na semana pelas partes, sob mediação dos Estados Unidos, apesar de indicar que o Hezbollah deseja a continuidade do cessar-fogo em vigor.
"É do interesse do Líbano, do Presidente e do Governo abandonar o caminho das negociações diretas e regressar a um consenso nacional para decidir qual a melhor opção", prosseguiu.
Durante o passado fim de semana, as forças de Israel anunciaram a morte de dois soldados no sul do Líbano.
O exército israelita pediu hoje os civis libaneses que não regressem a dezenas de aldeias no sul do Líbano, afirmando que as atividades do Hezbollah na região violavam o cessar-fogo.
Desde que a trégua entrou em vigor na sexta-feira, milhares de deslocados internos começaram a regressar a cidades e aldeias no sul do país, à medida que o exército libanês iniciava a reabertura de estradas e pontes danificadas pelos ataques aéreos ao longo do último mês e meio.
"O Hezbollah continuou as suas atividades terroristas durante o cessar-fogo, em violação do acordo. Como resultado, as forças israelitas continuam posicionadas na zona de defesa", declarou o porta-voz do exército em língua árabe, Avichay Adraee, na rede social X.
No sábado, um responsável do Hezbollah também pediu cautela aos habitantes, alertando-os para os riscos de um regresso prematuro ao sul.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou no domingo que o exército recebeu ordens para usar "toda a sua força" contra qualquer ameaça no Líbano, incluindo durante o cessar-fogo.
Indicou também que Israel vai demolir casas suspeitas de terem sido utilizadas pelo movimento xiita, enquanto os meios de comunicação social estatais libaneses noticiaram que as demolições já estavam em curso.
O exército israelita publicou também um mapa que mostra a sua "linha de defesa avançada" e uma área que se estende ao longo da fronteira com o Líbano, onde alega estar a conduzir operações para desmantelar as infraestruturas do Hezbollah e "impedir qualquer ameaça direta" contra as comunidades no norte de Israel.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.
No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo xiita, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.
Ao fim de um mês e meio de confrontos, Israel e o Líbano acordaram na semana passada uma trégua de dez dias, inicialmente aceite pelo Hezbollah, e o início de negociações diretas entre os dois países, que não têm relações diplomáticas.