Aumentos de preços de mão-de-obra e de materiais encarecem reparações automóveis
Quase três em quatro empresas de reparação automóvel tenciona aumentar o custo da mão-de-obra este ano, em três euros, para 38,82 euros, segundo um inquérito do setor, que antecipa aumentos de preço nos materiais devido à guerra.
Os dados constam do inquérito da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA) e contam com a resposta de 212 associados.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da associação, Roberto Gaspar, defendeu a necessidade de aumentar o preço da mão-de-obra, por considerar que "historicamente, sempre foi muito baixo".
Se antes se compensava com a margem nas peças, hoje em muitos casos a baixa mão-de-obra nas oficinas "não chega para cobrir os custos". "A mão-de-obra é cada vez mais cara porque há uma escassez enorme. Portanto, se temos escassez, o custo das pessoas também é maior", afirmou, acrescentando que os profissionais são hoje cada vez mais especializados.
Por outro lado, Roberto Gaspar alertou para os aumentos nas peças e materiais devido à escalada do preço do petróleo.
"O que nós temos sabido, falando com muitos operadores na área de distribuição de peças, é que o que era normal de se fazer em termos de atualizações anuais ou semestrais, nesta altura têm de fazer atualizações, por vezes, quinzenais, porque as peças estão a chegar constantemente com preços diferentes daqueles com que chegavam há pouco tempo", disse.
Quanto às áreas de atividade, a mecânica continuou a destacar-se, sendo o campo em que trabalham 97% dos inquiridos, seguindo-se ar condicionado (57%), bate-chapa (49%) e pintura (39%).
A reparação de ligeiros é a atividade mais recorrente, sendo praticada por 98% dos inquiridos, seguindo-se a reparação de pesados (16%) e a de máquinas agrícolas (7%).
Quanto à idade média dos trabalhadores, oscila entre os 40 anos nos da mecânica e os 45 anos nos trabalhadores de chapa e pintura.
No inquérito, quase dois terços das empresas referiram ter falta de trabalhadores, sendo que mais de metade apontou para a necessidade de dois funcionários extra.
A falta de pessoal habilitado foi, aliás, a maior dificuldade apontada pelos associados da ANECRA, tendo sido apontada por 50% dos inquiridos -- ainda assim, uma redução face aos 72% do ano passado --, seguindo-se os custos de gestão ambiental (34%) e a concorrência desleal entre operadores (14%).
Ao mesmo tempo, um terço das empresas disse ter trabalhadores de outras nacionalidades, com mais de metade a ter dois funcionários estrangeiros.
Cerca de 78% das empresas não têm acordo com seguradoras e 82% não tem acordos com gestoras de frota. Roberto Gaspar apontou que isso não significa que estas oficinas não trabalhem com estas empresas.
"Algumas oficinas preferem não trabalhar com grandes operadores, como seguradoras ou gestoras de frota", porque embora lhes dê volume, "nem sempre esse volume se traduz em rentabilidade".
A situação inverte-se em operadores de maior dimensão, "já com outro tipo de capacidade instalada", que trabalham com seguradoras "porque precisam desse volume para potenciar o seu negócio".
Quanto à reparação de elétricos, que representaram uma média de 7% do total reparado em 2025, Roberto Gaspar apontou que são veículos que, tendencialmente, necessitam de menos manutenção, mas que podem necessitar de trabalho mais especializado em caso de reparação das baterias -- que pode ser uma oportunidade para oficinas independentes.
"Aquilo que é a nossa experiência é que a grande maioria das marcas não faz reparação de baterias, pelo menos não tem essa capacidade instalada, o que significa que, por exemplo, em muitos casos, uma bateria que tem um problema, a solução muitas vezes das marcas é trocar a bateria, com custos elevadíssimos", explicou, apontando que há cada vez mais operadores "que se dedicaram a essa área".