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A Guerra Mundo

Zelensky acusa Rússia de "terrorismo nuclear" 40 anos após Chernobil

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Foto EPA

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou hoje a Rússia de "terrorismo nuclear" por ocasião do 40.º aniversário do acidente na central ucraniana de Chernobil, a pior catástrofe nuclear civil da história.

"O mundo não deve permitir que este terrorismo nuclear continue, e a melhor forma de lhe pôr fim é obrigar a Rússia a parar os seus ataques irresponsáveis", declarou Zelensky, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Zelensky referia-se à guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.

O acidente na central de Chernobil ocorreu em 26 de abril de 1986 quando a Ucrânia integrava a então União Soviética, de que se tornou independente em 1991, pouco antes da dissolução do bloco político controlado pela Rússia.

O número de vítimas permanece desconhecido, com uma contagem oficial de 31 mortos divulgada na altura, mas as estimativas variam entre quatro mil e centenas de milhares, devido a doenças contraídas por exposição à radicação.

O reator que esteve na origem do acidente foi coberto por um sarcófago construído em pouco tempo, cuja segurança tem sido posta em causa, nomeadamente devido à guerra iniciada pela Rússia.

Zelensky denunciou que drones russos sobrevoam regularmente Chernobil e que um deles embateu na cúpula de proteção em fevereiro de 2025.

A Rússia está "mais uma vez a levar o mundo ao limite de uma catástrofe provocada pelo homem", acrescentou na mensagem alusiva ao aniversário de Chernobil.

O Canadá anunciou na sexta-feira que irá disponibilizar oito milhões de dólares canadianos (cerca de cinco milhões de euros) para viabilizar "trabalhos de reparação críticos" na central nuclear de Chernobil.

O anúncio surge numa altura em que o Novo Confinamento Seguro (NCS), a estrutura gigantesca concebida para permitir o desmantelamento seguro do antigo escudo protetor, foi danificado pela guerra na Ucrânia.

O NCS foi danificado no ataque com drones de 2025, atribuído pela Ucrânia à Rússia, pelo que a estrutura já não consegue isolar totalmente qualquer eventual libertação de materiais radioativos.

O "dano na estrutura do NCS sublinha os graves riscos criados pelos repetidos ataques da Rússia contra a infraestrutura civil e nuclear", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá num comunicado na sexta-feira.

A Ucrânia tem atualmente quatro centrais de energia com um total de 15 reatores nucleares.

Uma delas, a de Zaporijia (sul), a maior da Europa, está ocupada por tropas russas desde a invasão de fevereiro de 2022.