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Madeira

Centenas na marcha de “amigos da Democracia e da Liberdade” que percorreu o Funchal

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Cerca de 300 pessoas participaram, na tarde deste sábado, no Funchal, na marcha promovida pela Comissão para as Comemorações do 25 de Abril na Madeira.

Sem programa comum, além de serem todos “amigos da Democracia e da Liberdade”, conforme assinalou Martinho Esteves, o grupo juntou-se no Largo do Município e percorreu as ruas até junto da Assembleia Legislativa da Madeira, com palavras de ordem como “o povo unido jamais será vencido” e ao som da música “Grândola Vila Morena” tocada por uma banda. A heterogeneidade social e política era evidente entre as centenas de participantes. Notavam-se grupos representativos da UGT e BE e figuras ligadas a outros partidos (PS, PCP, JPP, PTP e PSD), incluindo actuais e antigos deputados e autarcas. Mas também muitos cidadãos anónimos, de diferentes idades, alguns com crianças e jovens.

Aliás, foram duas alunas do 9.º ano da Escola Brazão de Castro (Galeão), Carmen Alves e Isabel Gouveia, que tiveram a honra de inaugurar as intervenções no ponto de chegada da marcha. A mensagem das jovens foi na forma de apelo às gerações mais novas para que façam ouvir a sua voz e participem na vida cívica.

Em nome da Comissão para as Comemorações do 25 de Abril na Madeira, Martinho Esteves realçou que esta é a data que marca a fundação da Democracia em Portugal e lamentou que se procure retirar-lhe importância, com a celebração de datas posteriores. Destacou ainda a celebração do 50.º aniversário da Constituição, “agora sob ataque de alguns que a acusam de estar ao serviço de uma apelidada esquerda”, mas que “foi criada para beneficiar todos os portugueses, debaixo da protecção de serviços públicos de qualidade, que não distinguem ricos nem pobres e a todos devem prestar iguais benefícios, que prevê o direito às liberdades por todos reconhecidas, à livre expressão, à livre reunião, à livre manifestação, ao sindicalismo e às suas formas de intervenção, a um posto de trabalho, a uma educação tendencialmente gratuita, a uma habitação condigna, a uma saúde gratuita e a uma justiça ‘cega’ e célere”. Apontou ainda a Autonomia da Madeira e a emancipação das mulheres como produtos da revolução de 1974.

Também Luísa Paixão realçou que “a Madeira conquistou o direito de decidir o seu caminho, de gerir os seus recursos e de afirmar a sua identidade” graças à Autonomia, conquistada na sequência da Revolução dos Cravos. E sublinhou que “comemorar o 25 de Abril não é só um ritual” mas deve resultar numa exigência de participação cívica, pois “a liberdade não é garantida com inércia” e “a Democracia não se defende sozinha”.