“É sempre preciso falar da liberdade, falar da democracia, para que ela permaneça”
Bernardo Martins assumiu que existem ameaças nacionais e internacionais aos ideais de Abril e evocou a importância de se continuar a reflectir sobre os mesmos. “Nós, aqui em Portugal, devemo-nos defender para evitar que esses pensamentos, que esse regresso de ‘três Salazares’ ou de situações congêneres se implantem na Madeira ou Portugal”, apontou, acrescentando que, “é sempre preciso falar da liberdade, falar da democracia, para que ela permaneça”.
“Se deixarmos morrer estas palavras, estes conceitos, estas bandeiras de vida, podemos acordar no dia seguinte com uma ditadura”, assumiu o membro do movimento ‘Cidadãos por Machico – Terra de Abril’, que defendeu os ideais do 25 de Abril. Afastado da política activa há mais de uma década, afirma que é necessário deixar que outros venham ocupar o espaço público, “fazendo ainda melhor do que nós”. “O que é preciso é que os novos actores da sociedade não percam os princípios do 25 de Abril e não deixem nunca serem medíocres”, afirmou.
A exposição ‘Prosseguir Abril: o pensar e o agir do Pe. Martins Júnior, um homem da liberdade’ foi inaugurada esta manhã, no Largo do Município, em Machico, inserida nas comemorações do 25 de Abril nesse concelho.
Esta iniciativa parte de uma organização da Câmara Municipal de Machico, Junta de Freguesia de Machico e do movimento ‘Cidadãos por Machico – Terra de Abril’, que decidiu prestar uma homenagem a este percursor da liberdade, ainda antes da Revolução dos Cravos.
A exposição conta com várias imagens e frases emblemática, que espelham o empenho de Martins Júnior na Revolução e o trabalho junto das populações em prol da liberdade, mesmo que não fosse em situação organizada de oposição. “Evocá-lo é manter sempre presente a chama dos ideais do 25 de Abril: a liberdade, a democracia e a tolerância”, apontou Bernardo Martins.
O membro do movimento ‘Cidadãos por Machico – Terra de Abril’ aponta que as imagens que constam da exposição foram captadas em Machico, sendo que houve “a felicidade de haver pessoas a fotografar”, dada a falta de meios existentes na época que permitissem a captação de imagens. Algumas das fotografias são da autoria de Manuel Nicolau, fotojornalista do DIÁRIO, “que foi o primeiro presidente da Junta de Freguesia de Machico, após o 25 de Abril”. “Também ele deixou um legado fotográfico documental que está exposto e que é uma parte da valorização da Revolução dos Cravos”, assume Bernardo Martins.
Por outro lado, questionado sobre a apresentação do livro ‘Por Dentro do CHEGA’, da autoria do jornalista Miguel Carvalho, ocorrida no sábado, o Cidadão por Abril aponta que, acima de tudo, trata-se de um alerta.