Jéssica Teles exige Madeira "mais justa" e alerta para custo de vida
Na sessão comemorativa da Assembleia Legislativa da Madeira, a deputada do JPP denunciou as dificuldades das famílias madeirenses e apelou aos jovens para não abandonarem a política.
A deputada Jéssica Teles, do Juntos Pelo Povo (JPP), usou a sessão comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril, realizada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, para alertar para as dificuldades que ainda persistem no quotidiano das famílias madeirenses, meio século após a conquista da Democracia e da Autonomia regional.
Num discurso de tom reivindicativo, a deputada começou por prestar homenagem "aos militares de Abril e a todos os homens e mulheres que resistiram à censura, ao medo e à perseguição", recordando que a liberdade "não é um direito adquirido" e que cabe às gerações atuais saber defendê-la.
Um povo que esquece a luta pela liberdade corre o risco de não a saber defender Jéssica Teles, deputada do JPP
Evocando os 50 anos da Autonomia da Madeira, que se comemoram este ano, a jovem deputada reconheceu os avanços alcançados, mas sublinhou que "a Autonomia não pode ser apenas um símbolo histórico". A deputada citou dados preocupantes: cerca de 53 mil madeirenses encontram-se em risco de pobreza ou exclusão social, e a Região regista a maior taxa do país de pessoas a viver em casas sobrelotadas — 23,5%, o dobro da média continental.
No campo económico, a parlamentar destacou o agravamento do custo de vida, apontando que o cabaz alimentar subiu 40% entre 2022 e 2025, segundo a Deco Proteste. Referiu ainda a pressão dos preços dos combustíveis, o acesso à habitação como "uma das maiores preocupações sociais do nosso tempo" e a situação de idosos obrigados a "escolher entre medicamentos e alimentação".
Quando uma geração adia a sua autonomia porque não consegue pagar habitação, algo está profundamente errado Jéssica Teles, deputada do JPP
A deputada responsabilizou os sucessivos governos do PSD, incluindo o actual executivo apoiado pelo CDS, pelas dificuldades que persistem, defendendo que "a Democracia é garantir condições mínimas de dignidade" e que "a política tem de ser, antes de tudo, um serviço público para todos".
Num apelo directo aos jovens madeirenses, Jéssica Teles instou-os a não abandonarem a política e a participarem activamente na vida pública. "Quando os bons se afastam, ficam os mesmos de sempre. Quando os jovens se calam, perde-se energia transformadora", afirmou, defendendo que partir por necessidade e não por escolha "é uma derrota para todos".
Terminou a sua intervenção com um apelo à construção de "uma Madeira onde viver bem não seja privilégio de alguns, mas direito de todos", concluindo com vivas à liberdade, à Autonomia, à Madeira e a Portugal.