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Governo Regional Madeira

"O ambiente político está pior do que anteriormente"

Miguel Albuquerque teceu durante críticas ao Governo da República e deixou um aviso: "Não estamos para fazer amigos"

Foto Rui Silva/ASPRESS
Foto Rui Silva/ASPRESS

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, deixou duras críticas ao Governo da República durante a Cimeira Parlamentar do PSD-Madeira e Açores, iniciativa que assinala os 50 anos das autonomias regionais. Num discurso marcado por um tom combativo, o líder madeirense sublinhou que a defesa dos interesses das Regiões Autónomas exige firmeza e determinação política.

"Não estamos para fazer amigos", afirmou, acrescentando que o caminho passa inevitavelmente pela reivindicação activa. "Ou nós combatemos e conseguimos aquilo que vamos conseguir, por reivindicação e luta, ou então não conseguir".

O ambiente político está pior do que anteriormente, do meu ponto de vista Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira

Entre as principais reivindicações, destacou a necessidade de reforçar os poderes autonómicos e avançar com a revisão da Lei das Finanças Regionais, em linha com compromissos assumidos pelo PSD a nível nacional. Defendeu também soluções urgentes para os problemas da mobilidade e do transporte aéreo, insistindo que é necessário ultrapassar uma visão "tecnocrática ou economicista" e adoptar uma abordagem política que garanta maior justiça territorial.

É fundamental que o PSD assuma decisões relativamente à Madeira e aos Açores, que o Governo cumpra os compromissos assumidos em campanha eleitoral e inscritos nos programas de governo, e que o Estado reconheça plenamente as responsabilidades que tem para com as regiões” Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira

Não obstante, Miguel Albuquerque, o presidente do executivo madeirense alertou ainda para os encargos acrescidos que recaem sobre as Regiões Autónomas em áreas como a educação e a saúde, considerando que é "insustentável" que esses sobrecustos continuem a ser suportados exclusivamente pelos orçamentos regionais, defendendo uma maior responsabilização do Estado no quadro da Assembleia da República.

Ainda antes da cimeira começar, em declarações aos jornalistas, o governante também criticou o "marasmo" existente. "Autonomistas em vésperas de eleições e autonomistas de retórica há muitos, vêm todos aqui colher votos. Juram fidelidade, mas normalmente são juras que não têm prática. E depois há aqui algum marasmo, porque são questões que têm de avançar rapidamente", afirmou.

Nesse sentido, defendeu que é preciso "fazer força" para que estas questões possam avançar. "Se depender de nós e do nosso grupo parlamentar, estou optimista, mas se depender de um pequeno grupo que ainda vive ancorado no século XIX, no tempo da monarquia constitucional, então o cenário torna-se mais pessimista".