DNOTICIAS.PT
Mundo

NATO intercepta aeronaves militares russas sobre o mar Báltico

None
Foto Shuttertsock

A NATO anunciou hoje ter intercetado bombardeiros estratégicos e caças russos que sobrevoavam o mar Báltico na segunda-feira, numa demonstração de poder aéreo na fronteira leste da aliança, longe dos holofotes do Médio Oriente.

Caças Rafale franceses foram enviados de uma base aérea lituana onde estão estacionados, no âmbito de um esforço de policiamento aéreo da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) que dura há décadas, precisou a aliança num comunicado.

Armados com mísseis ar-ar, os caças juntaram-se a jatos da Suécia, Finlândia, Polónia, Dinamarca e Roménia para monitorizar o voo russo, informou o destacamento francês.

A missão russa incluiu dois Tu-22M3 supersónicos, bem como cerca de 10 caças --- SU-30 e SU-35 --- que se revezaram na escolta dos bombardeiros estratégicos de maior dimensão, segundo o comunicado.

O Ministério da Defesa russo afirmou na segunda-feira na plataforma digital Telegram que o voo dos bombardeiros de longo alcance estava programado, ocorreu no espaço aéreo sobre as águas neutras do mar Báltico e teve uma duração superior a quatro horas.

"Em algumas partes da rota, os bombardeiros de longo alcance foram acompanhados por caças de outros países", indicou o ministério russo.

"As tripulações da aviação de longo alcance realizam regularmente voos sobre as águas neutras do Ártico, do Atlântico-Norte, do oceano Pacífico e dos mares Báltico e Negro. Todos os voos das aeronaves das Forças Aeroespaciais Russas são realizados em estrita conformidade com as normas internacionais para o uso do espaço aéreo", sublinhou.

O Ministério da Defesa russo, que hoje não respondeu a um pedido de comentário da agência noticiosa norte-americana The Associated Press (AP), relata com frequência voos dos seus bombardeiros estratégicos sobre o mar Báltico, incluindo em janeiro --- quando os jatos da NATO também sobrevoaram a zona para os intercetar --- e pelo menos quatro vezes no ano passado.

Contactado pela AP, o Comando Aéreo Aliado da NATO também não respondeu até agora a um pedido de comentário.

A aliança militar envia rotineiramente caças para intercetar aviões de guerra russos que se aproximam ou voam perto do espaço aéreo dos seus Estados-membros.

A NATO afirma que os aviões russos que interceta frequentemente não utilizam os seus 'transponders' e não comunicam com os controladores de tráfego aéreo nem apresentam um plano de voo, pelo que são enviados caças para os identificar.

Muitos dos voos russos que a NATO monitoriza com a sua missão de policiamento aéreo no Báltico, em vigor desde que a Lituânia, a Letónia e a Estónia aderiram à aliança, em 2004, têm como destino ou origem o enclave russo de Kaliningrado.

Ainda antes da guerra russa na Ucrânia -- iniciada em fevereiro de 2022 -, a NATO intercetava aviões russos cerca de 300 vezes por ano, principalmente sobre as águas do norte da Europa.

Um jornalista da AP assistiu na segunda-feira à resposta do destacamento francês, na enorme Base Aérea de Siauliai, na Lituânia, que a NATO utiliza para patrulhar os céus no flanco oriental da aliança.

As tripulações de dois caças Rafale franceses --- um piloto e um navegador --- foram vistas a acelerar em duas carrinhas em direção aos hangares dos aviões, a partir do edifício do quartel-general que o contingente francês utiliza durante o seu destacamento de quatro meses na base aérea.

Já estavam equipadas, porque estavam de prevenção, para poderem levantar voo em poucos minutos caso fossem acionadas, e rapidamente ocuparam os seus lugares nos 'cockpits' dos caças, ligaram os motores a jato, aguardaram a ordem de descolagem, saíram dos hangares e partiram em direção ao céu limpo.

O voo de segunda-feira foi o mais recente das manobras da Rússia sobre o mar Báltico.

Segundo o Ministério da Defesa lituano, só entre 13 e 19 de abril, os caças da NATO foram acionados quatro vezes para intercetar aeronaves russas que violaram as regras de voo, incluindo desligar os 'transponders' e voar sem apresentar plano de voo.