Guterres insiste que "todas as partes" respeitem navegação no estreito de Ormuz
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu hoje o restabelecimento da liberdade de navegação no estreito de Ormuz e insistiu para que "todas as partes a respeitem".
O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, expressou "a preocupação" do secretário-geral sobre a situação no estreito em conferência de imprensa.
"Continuamos preocupados com as restrições que foram impostas, assim como com os incidentes marítimos que testemunhamos nas últimas 48 horas", disse Dujarric em relação ao ataque norte-americano a um navio cargueiro de bandeira iraniana que tentou atravessar o bloqueio naval do estreito de Ormuz.
Teerão acusou Washington de violar o cessar-fogo, na sequência do ataque no estreito, enquanto os Estados Unidos argumentaram que o navio tentou forçar o bloqueio naval e defenderam as ações como uma medida de segurança.
Por sua vez, os militares iranianos denunciaram o ataque como uma violação do cessar-fogo de duas semanas acordado entre Teerão e Washington e afirmaram ter respondido com ataques de drones contra navios norte-americanos.
Guterres pediu o "restabelecimento completo da navegação internacional e da liberdade de navegação no estreito de Ormuz", algo que deve "ser respeitado por todas as partes".
O antigo primeiro-ministro português também afirmou que nada justifica "ataques à infraestrutura civil iraniana" ou "qualquer outra infraestrutura que possa colocar em risco vidas civis", ao comentar as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que "muitas bombas vão começar a explodir" se nenhum acordo for alcançado nas próximas horas.
Entretanto, Teerão rejeitou ter planos de participar numa nova ronda de negociações com os Estados Unidos.
Fonte próxima do processo negocial indicou à agência de notícias France-Presse (AFP) que a delegação de Washington vai deslocar-se "em breve" ao Paquistão, país mediador.