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Guerra no Irão Mundo

Rússia condena bloqueio "ilegal" dos EUA no estreito de Ormuz

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As autoridades russas condenaram o que consideraram um bloqueio "ilegal" por parte dos Estados Unidos do estreito de Ormuz, sem o Exército americano advertir que intercetará "em águas internacionais" qualquer navio que tenha pago ao Irão para o atravessar.  

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, afirmou que se trata de medidas "unilaterais".

"Em geral, as medidas dos Estados Unidos para estabelecer o bloqueio marítimo do estreito de Ormuz, seja mediante a interceção de navios ou o bloqueio de portos iranianos, devem ser consideradas exclusivamente como unilaterais e ilegítimas tanto do ponto de vista da Carta da ONU como do direito marítimo internacional", afirmou durante uma conferência de imprensa, segundo a agência de notícias TASS.  

Nesse sentido, a porta-voz russa criticou a proposta do Reino Unido e França, que convocaram uma conferência para esta sexta-feira sobre este assunto.

"A missão proposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para restaurar a navegação é um projeto falhado", apontou, embora Paris tenha defendido a iniciativa, liderada juntamente com o Reino Unido, para uma coligação internacional que instale uma missão naval pacífica que vigie a reabertura da estratégica passagem de Ormuz.

O Exército dos Estados Unidos assegurou na quarta-feira que nenhum navio tinha atravessado o estreito de Ormuz nas primeiras 48 horas após a imposição do bloqueio naval ordenado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, imposto depois do fracasso das negociações de paz entre Washington e Teerão realizadas no sábado na capital do Paquistão, Islamabade.

Os Estados Unidos vêm indicando que o bloqueio total aos portos do Irão está surtindo efeito e que conseguiu "paralisar totalmente" o comércio económico que "entra e sai" daquele país asiático por mar.

Esta medida surge após as negociações no Paquistão do passado fim de semana que terminaram sem acordo entre Washington e Teerão para o cessar definitivo das hostilidades, enquanto se mantém em vigor um cessar-fogo de 15 dias, que procura precisamente dar espaço à diplomacia para alcançar um pacto mais amplo que ponha fim à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, em troca da suspensão de sanções ao Irão, o regresso à normalidade em Ormuz e que a República Islâmica faça um novo acordo nuclear.

Pelo estreito de Ormuz passa um quinto da produção de petróleo mundial.