Líder do Hezbollah promete retaliar contra ataques de Israel
O líder do movimento libanês pró-Irão Hezbollah, Naim Qassem, prometeu hoje retaliar contra os ataques israelitas no Líbano e Israel anunciou a morte de um dos seus militares naquele território, onde o cessar-fogo está em vigor.
"Um cessar-fogo significa a cessação completa de todas as hostilidades. Como não confiamos neste inimigo, os combatentes da resistência permanecerão no terreno, prontos para disparar, e responderão a quaisquer violações", garantiu Naim Qassem num comunicado lido na televisão, acrescentando que uma trégua não pode ser unilateral.
No sábado, o exército israelita anunciou que tinha estabelecido uma "linha amarela" de demarcação no sul do Líbano, semelhante à de Gaza, e que tinha "eliminado uma célula terrorista" que operava perto das suas tropas.
Estas são as primeiras declarações de Naim Qassem desde que o cessar-fogo entrou em vigor, anunciado por Washington na quinta-feira, após um encontro no início da semana entre os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos --- o primeiro encontro deste tipo em décadas.
O líder do Hezbollah afirmou que a forma como "os Estados Unidos estão a impor o seu texto e a falar em nome do Governo libanês" é um insulto ao Líbano.
"Basta submeter o Líbano a estas humilhações negociando diretamente com o inimigo israelita e ouvindo os seus ditames, e com este espetáculo vergonhoso em Washington", declarou.
O Líbano foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah, um movimento islamista financiado e apoiado por Teerão, atacou Israel, em 2 de Março, em retaliação pelo assassinato do líder supremo Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva israelo-americana contra o Irão.
Naim Qassem expressou ainda a sua "gratidão" ao Irão pelo "seu apoio e assistência".
Entretanto, o governo libanês tomou recentemente medidas sem precedentes contra a organização, declarando a sua intenção de a desarmar e proibindo as suas atividades militares.
O Hezbollah rejeitou estas decisões, mas Naim Qassem afirmou que o seu grupo estava "aberto à plena cooperação com as autoridades libanesas, iniciando um novo capítulo (...) e utilizando as nossas forças no âmbito de uma estratégia de segurança nacional".
Por sua vez, o exército israelita anunciou hoje a morte no sul do Líbano de um dos seus militares, o que eleva para 14 o número de mortos no país vizinho desde o início da ofensiva.
Segundo um comunicado militar, o soldado, identificado como o sargento na reserva Barak Kalfon, morreu em combate num incidente em que outros três soldados ficaram feridos, dois deles com ferimentos ligeiros.