Líbano prometeu "medidas concretas" para impedir ataques do Hezbollah contra Israel
O Departamento de Estado norte-americano afirmou hoje que o Líbano prometeu tomar "medidas concretas" para impedir quaisquer ataques do Hezbollah contra Israel, no âmbito do cessar-fogo de 10 dias entre os dois países.
A partir da entrada em vigor do cessar-fogo, "e com o apoio da comunidade internacional, o governo libanês tomará medidas concretas para impedir que o Hezbollah e todos os outros grupos rebeldes armados não estatais presentes no Líbano realizem ataques, operações ou atividades hostis contra alvos israelitas", refere o comunicado do Departamento de Estado sobre o teor do acordo.
Israel, adianta, "reserva-se o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa contra ataques planeados, iminentes ou em curso", e a cessação das hostilidades "não impedirá o exercício deste direito".
Israel compromete-se ainda a não realizar quaisquer operações militares ofensivas contra alvos libaneses.
O cessar-fogo com Israel tem início marcado para a meia-noite, hora local (22:00 de Lisboa).
O período inicial de dez dias "pode ser prorrogado por mútuo acordo entre o Líbano e Israel, caso as negociações avancem e o Líbano demonstre concretamente a sua capacidade de afirmar a sua soberania", acrescenta a diplomacia norte-americana.
Já após o anúncio do acordo, o exército israelita anunciou que estava a atacar lançadores de rockets do Hezbollah no Líbano, após disparos contra Israel.
"O exército está a atacar lançadores de onde o Hezbollah disparou rockets em direção ao norte de Israel", refere um comunicado militar divulgado pouco antes das 19:00 de Lisboa.
Duas pessoas ficaram feridas, uma em estado grave, em ataques com rockets no norte de Israel, uma em Carmiel e outra em Nahariya, segundo a Magen David Adom (MDA), o equivalente israelita da Cruz Vermelha.
Segundo um funcionário da Casa Branca, que falou sob anonimato, o acordo foi negociado com os lados israelita e libanês em paralelo com telefonemas do Presidente Donald Trump, na quarta e quinta-feira, para os líderes de Israel e do Líbano.
A atual escalada entre Israel e o Líbano começou a 02 de março, quando o Hezbollah lançou rockets contra o norte de Israel, rompendo uma trégua anterior e levando este país a responder imediatamente com ataques aéreos contra o território libanês, incluindo Beirute.
Os combates intensificaram-se ao longo de março com repetidos ataques do Hezbollah com rockets e drones, ataques aéreos e uma incursão terrestre israelita no sul do Líbano, deslocamentos em larga escala e baixas em ambos os lados.
Israel realizou ataques maciços contra o território libanês a 08 de abril, já depois de ser acordada uma trégua de duas semanas no conflito entre Irão e Estados Unidos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou hoje o cessar-fogo de dez dias no Líbano como "uma oportunidade para um acordo de paz histórico", mas indicou que as suas tropas vão manter posições no país vizinho durante a trégua.
Numa declaração por vídeo, divulgada pelo seu gabinete depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado um cessar-fogo, Netanyahu indicou que as forças israelitas "permanecerão no sul do Líbano, dentro de uma faixa fronteiriça de dez quilómetros de profundidade".
Na sua declaração, o líder israelita reiterou o objetivo de desarmar o grupo xiita libanês Hezbollah, que Donald Trump disse estar igualmente vinculado à trégua de dez dias.
Trump declarou hoje que o cessar-fogo acordado entre o Líbano e Israel abrangerá o movimento xiita libanês Hezbollah, afirmando-se "confiante" de que o grupo aliado do Irão respeitará a trégua.
Pouco antes destas declarações de Trump à comunicação social, o Hezbollah anunciou que respeitará o cessar-fogo, que entra em vigor hoje à meia-noite local (22:00 de Lisboa), se Israel suspender totalmente as hostilidades.
O exército libanês e o Hezbollah apelaram hoje à população de vilas e cidades do sul do país visadas por Israel para que adiem o regresso a estas até ao cessar-fogo entrar em vigor.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) das Nações Unidas saudou o cessar-fogo de dez dias anunciado hoje para o Líbano e instou todas as partes a respeitá-lo, recordando o êxodo provocado por semanas de hostilidades.
"Um cessar-fogo é o primeiro passo, mas mantê-lo é essencial para salvar vidas. (...) Mesmo com um cessar-fogo, a crise está longe de terminar", afirmou a agência em comunicado.