Portugal longe dos critérios para crise energética
A ministra do Ambiente e Energia disse hoje que Portugal está longe dos critérios para declarar crise energética e revelou que a Comissão Europeia está a preparar um regulamento temporário para ajudar os setores mais expostos aos preços de energia.
"Nós não estamos ainda nesses [critérios] e penso que neste momento até estamos longe desses critérios. De qualquer modo, para prevenir o que possa vir a acontecer, a Comissão Europeia tem um conselho informal a 23 e 24 de abril com os chefes de Estado e de Governo e já nos mandou uma consulta pública, uma consulta aos Estados-membros, sobre um novo regulamento da DG Concorrência, um regulamento temporário para ajudar os setores mais expostos aos preços de energia", disse Maria da Graça Carvalho.
Em declarações aos jornalistas, à saída do XV Fórum dos Alunos de Engenharia do Ambiente que decorre hoje na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a ministra do sublinhou que "mesmo que não se chegue aos critérios de crise, tudo estará preparado".
Em 20 de março, Maria da Graça Carvalho admitiu que Portugal estava "perto dos critérios" para declarar uma crise energética.
"Estamos a ficar perto dos critérios que podemos declarar crise energética", disse Maria da Graça Carvalho em declarações aos jornalistas, em Lisboa, referindo que o executivo estava a "analisar e quantificar" diferentes medidas de apoio.
Sobre essas declarações há cerca de três semanas, Maria da Graça Carvalho explicou hoje que "essa altura [aconteceu um] aumento muito rápido do gás".
"Foi quando foi o ataque ao Catar do gás. Depois o preço do gás estabilizou, agora o preço dos combustíveis até baixou, baixou em relação à semana anterior. De qualquer maneira, quando as negociações falharam, voltou a aumentar, o barril já está outra vez a mais de 100 dólares, mas mesmo agora chegou uma notícia a dizer que vão retomar as negociações. Esperemos que essas negociações sejam bem-sucedidas. Se conseguirmos negociações e que não haja problemas com os territórios, num tempo razoável, nós vamos conseguir escapar a ter uma crise", disse.
Frisando a esperança de que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão evoluam positivamente, a ministra foi, no entanto, perentória sublinhando sempre a importância da resposta ser europeia e concertada: "Se isto se prolongar vários meses, temos que estar preparados".
"É importante coordenarmos a nível europeu para que não haja distorção do mercado interno e principalmente em países que estão interligados como nós estamos com o resto da Europa. Se um país ajuda muito mais que os outros distorce toda a concorrência e isso é prejudicial para a Europa como um todo", referiu.
O Governo alemão anunciou na segunda-feira um pacote de medidas para aliviar os preços dos combustíveis para consumidores e empresas, no valor de 1,6 mil milhões de euros.
Questionada sobre se o executivo português equaciona tomar individuais idênticas, Maria da Graça Carvalho reiterou: "Um conjunto de medidas com limites permitidos pela União Europeia é muito importante para fazer uma uniformização do que é que vai acontecer nas ajudas, como aconteceu em 2022".
Maria da Graça Carvalho admitiu preocupações com o diesel e o fuel da aviação, mas voltou a sublinhar que Portugal "está mais protegidos que outros Estados-membros e que outros países no mundo".
"Na produção de eletricidade, somos muito protegidos, temos mais de 80% de energia renovável. Raramente o preço do gás dita ao preço da eletricidade, porque a maior parte das horas é a energia renovável que dita ao preço da eletricidade, portanto, aí estamos muito protegidos. Por outro lado, a nossa importação [de combustíveis fósseis] é quase toda do Atlântico: Brasil, Nigéria, Estados Unidos e também a Argélia", referiu.