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Madeira

Região rejeita críticas e defende capacidade de integração de migrantes

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Foto Rui Silva/ASPRESS

A secretária regional da Inclusão, Paula Margarido, rejeitou a ideia de que a Madeira seja um mau exemplo na integração de migrantes, garantindo que a Região mantém uma tradição de acolhimento, embora enfrente desafios num contexto de maior pressão migratória.

À margem do II Fórum de Mobilidade Global, Integração e Diversidade Cultural, a governante respondeu às críticas sobre fragilidades no modelo regional, sublinhando que “a nossa Região é, por natureza, historicamente aberta ao mundo”, onde sempre houve saída e entrada de pessoas em busca de oportunidades.

Ainda assim, reconheceu que o actual cenário levanta novas exigências, sobretudo ao nível da integração profissional. Muitos migrantes acabam por entrar no mercado de trabalho em áreas como a hotelaria e restauração, não por falta de qualificação, mas por dificuldades no reconhecimento das suas habilitações.

“São pessoas com formação superior que não conseguem de imediato ver os seus diplomas reconhecidos em Portugal”, afirmou.

Paula Margarido destacou, contudo, que existem casos de progressão, apontando exemplos de trabalhadores que iniciaram funções indiferenciadas e que, após validação académica, passaram a exercer profissões como medicina ou farmácia na Região.

Sobre as críticas relacionadas com situações de fragilidade social, a secretária regional admitiu que existem comunidades com maiores dificuldades de integração, nomeadamente pela ausência de redes de apoio ou pelas diferenças culturais. Referindo o caso de cidadãos oriundos do sul da Ásia, reconheceu que “muitas vezes se fecham sobre si próprios”, o que pode dificultar a aproximação.

Ainda assim, rejeitou que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre a sociedade madeirense. “Os madeirenses tudo fazem para acolher”, afirmou, defendendo que o processo de integração depende também da abertura das próprias comunidades.

A governante destacou o papel de associações e entidades parceiras que trabalham no terreno para promover essa integração, procurando evitar situações de isolamento e fomentar a convivência.

Quanto à pobreza, indicou que não estão previstos novos estudos, sendo a análise feita com base nos dados disponíveis da Direcção Regional de Estatística.

Num momento em que aumentam os fluxos migratórios, Paula Margarido insiste que a Madeira continua a ser uma Região de acolhimento, mas admite que o desafio passa por reforçar os mecanismos de integração e garantir maior coesão social.