Presidência ucraniana acredita em acordo de paz em breve
O chefe de gabinete da Presidência ucraniana, manifestou hoje confiança num acordo de paz em breve com a Rússia, agora que as partes "compreenderam claramente os limites do que é aceitável"
Em entrevista à agência de notícias Bloomberg, Kirill Budanov afirmou que "todos compreendem que a guerra tem de acabar e é por isso que estão a negociar", acrescentando: "Não creio que demore muito".
Antigo chefe dos serviços de informações da Ucrânia e um dos membros ativos nas negociações promovidas pelos Estados Unidos com Moscovo, Budanov desvalorizou a falta de resultados em sucessivas rondas de conversações, comentando que, "ainda que não tenha sido tomada nenhuma decisão final", a vontade das partes de encontrar um terreno comum é um "grande passo em frente" após quatro anos de guerra.
O chefe de gabinete do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, salientou que a Rússia está a sentir o peso das "enormes somas" gastas nesta guerra, "ao contrário" da Ucrânia, apesar do alívio suscitado pelo levantamento parcial das sanções norte-americanas à exportação de petróleo russo, no seguimento do conflito desencadeado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Budanov disse acreditar que também este conflito está a chegar ao fim, quando a Rússia e a Ucrânia acordaram uma trégua temporária, em vigor no sábado e no domingo, por ocasião da Páscoa ortodoxa, que Moscovo recusa porém prolongar conforme proposto por Zelensky.
O Presidente ucraniano também abordou as sanções a Moscovo, esperando que a reabertura do transporte de hidrocarbonetos no estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão desde o começo da nova guerra no Médio Oriente, possa levar à reposição das penalizações à Rússia.
"Caso contrário, cada dia que passa só reforçará a minha convicção de que se tratou de uma manobra russa: usar um pretexto conveniente para suspender as sanções aos recursos energéticos e, assim, obter a oportunidade de vender os ativos da Lukoil", disse Zelensky num encontro com jornalistas, referindo-se à gigante petrolífera russa sancionada por Washington em outubro passado.
Zelensky observou que, "pelo menos na Europa", a Rússia não pode lucrar com, nem vender, os ativos petrolíferos devido ao regime de sanções contra o país.
O líder ucraniano confirmou ainda, sem especificar os países em causa, que alguns dos parceiros de Kiev lhe pediram, através de canais militares e políticos, a interrupção dos ataques a infraestruturas petrolíferas russas durante a guerra no Irão para evitar maiores distorções no mercado internacional.
O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, confirmou já que um enviado do Kremlin, Kirill Dmitriev, se encontra nos Estados Unidos para reuniões focadas em questões económicas, mas esta deslocação "não significa o retomar das negociações" sobre a Ucrânia.
A visita de Dmitriev acontece pouco antes do fim da isenção temporária de 30 dias das sanções norte-americanas ao petróleo russo.
Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito no Médio Oriente, as negociações entre as partes não têm conhecido avanços nas últimas semanas.
A última ronda trilateral foi realizada em Genebra, Suíça, em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.